O Século Diário tentou cantar a pedra sobre a pesquisa da Futura publicada no domingo em A Gazeta:
"Cirurgia plástica
Como faz há quase 10 anos, o instituto Futura entrou em campo para beneficiar Paulo Hartung. Desta vez, com um bisturi em mãos. A pesquisa do instituto Enquete para a disputa em Vitória arranhou, ou melhor, talhou, a imagem do ex-governador, que muitos supunham irretocável. Segundo os números da Enquete, publicados em A Tribuna, PH aparece com 36% na estimulada e módicos 9,7% na espontânea, um pouco à frente de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). A Futura, pois, deve operar uma intervenção cirúrgica de reparo. Começou bem, deteriorando a figura do prefeito João Coser na pesquisa desse domingo (8) em A Gazeta. Agora, falta o grand finale, corrigindo o desgaste de PH revelado pela Enquete. Aí, sim, a operação será um sucesso. E retumbante."
Não colocando em dúvida o trabalho da Futura, mas constatando:
Efetivamente, na intenção de voto estimulada há diferença relevante entre a pesquisa da Enquet e da Futura. De 36% em uma, sobe para 42,5% em outra.Será um upgrade da Futura? Será que o Século Diário tinha razão na tentativa de vaticínio de ontem? Ou, efetivamente, novos fatos políticos, construídos no curto espaço de tempo entre uma e outra pesquisa, levaram a alteração significativa nos humores e preferências do eleitorado da Capital?
Já na intençao de voto espontânea os resultados Enquet/Futura coincidem. Ou seja, PH aparece nas duas com 11,5% das intenções de voto.
Esses números desmontam o discurso de uma candidatura Hartung como arrazadora em Vitória. Os números não sustentam o discurso que sendo Hartung candidato não tem para ninguém. Na verdade, mostram que é forte mas teria que suar a camisa para vencer. Como disse em comentário anterior, mostram que PH em Vitória não é nenhuma Brastemp.
Também não dá sustentação a afirmação de PH que "a pesquisa mostra um forte apelo da população ao modelo de gestão que montei". Mostra aonde e como?
Neucimar Fraga, o prefeito mais mal avaliado da Grande Vitória, obtém também o percentual de 11,5% na pesquisa de avaliação em Vila Velha. Alguém imagina Neucimar Fraga lendo esses números como "forte apelo da Populaçao ao modelo " que montou?
.
Álias, PH não pode esquecer que ele não foi o único prefeito de Vitória que inovou em práticas de gestão e foi bem avaliado. Seu antecessor, Vitor Buaiz, inovou com o orçamento participativo e tornou a educação de Vitória uma referência. Saiu bem avaliado e "o apelo da população ao modelo que montou" o levou ao Governo do Estado. Seu insucesso lá, é outra discussão. Isso, para não falar também em seu sucessor, Luis Paulo Veloso Lucas, que inovou e muito com projetos que poderiam ser tomados como de referência internacional, como o Projeto Terra (que foi maquiado com outro nome) e a Rede Criança (esse, infelizmente e inexplicavelmente desativado).
Na verdade, os tres prefeitos anteriores a Coser terminaram seus mandatos bem avaliados e com um bom capital político que, evidentemente, com o tempo e a distância, vai perdendo densidade e substância.
Isso se deve ao fato que em Vitória cada eleição é uma eleição (parece abobrinha, mas não é), com parte significativa do eleitorado definindo seu voto em função das caracterísicas do momento e dentro de variáveis próprias de cada conjuntura política.
Ou seja, Não há no eleitorado de Vitória lealdades consolidadas a uma ou outra liderança política, aquela fidelidade política que faz o eleitor seguir cegamente uma liderança política, tão própria de sistemas oligarcizados e independente das intempéries da conjuntura política.
Há, sim, segmentos do eleitorado que tem simpatias difusas por um campo político ou partido. É inegável que o PT tem um eleitorado fiel e um segmento simpatizante que, em situações de normalidade, a principio, tende a lhe conferir o voto.
Assim, como há um campo que tem sentimentos difusos antipetistas que se bem trabalhados podem resultar em sucesso para o discurso ou político que busque articular esse voto.
As insatisfações ou desencantos são outra discussão.
Assim, em cada eleição, o candidato tem que saber "vender o seu peixe", já que não há alinhamentos automáticos ou votos de cabresto.
Cabrestos e currais eleitorais existem apenas na votação de algumas lideranças de base comunitária ou no controle de fiéis exercidos por alguns pastores de determinadas igrejas neopentecostais. Ajudam nas eleições? Ajudam, mas não são suficientes para eleição de uma candidatura majoritária.
Obs.: artigo postado originalmente no facebook em 10/04
quarta-feira, 18 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
A normalidade das coisas (Renato Lessa)
Demóstenes Torres é um "senador normal pego em flagrante". Sua desgraça consiste exatamente no flagrante
Se a identidade nacional de uma população for definida por suas práticas mais usuais, pode-se dizer que o brasileiro é, antes de tudo, um telespectador. A medida de exposição diária ao veículo supera a quantidade média de horas passadas pelas crianças brasileiras, a cada dia, nos bancos escolares. Se fosse eu um paranoico amador diria que o conteúdo veiculado está a serviço do propósito de transformar os cidadãos do País em uma cáfila de oligofrênicos cívicos.
(Nota metodológica: por ignorar qual seja o coletivo de "oligofrênicos cívicos", optei por "cáfila", que me parece menos ofensivo do que "vara" e mais apropriado do que "alcateia" ou "enxame"; espero não ser molestado pela Sociedade de Proteção dos Camelos.)
Não sei se há propósito na coisa, mas isso é irrelevante. O que parece ser incontroverso é o fato de que no jorro televisivo o espaço dedicado à informação política resume-se a poucos minutos dos jornais intercalados em meio ao que interessa – as novelas – e a alguns minutos a mais para os notívagos, nos jornais do fim da noite. Da qualidade da informação, pouco há que falar: pouquíssimo texto, abundância de lugares comuns, imagens agressivas. Sobretudo denúncias, já que o animal telespectador que se quer fabricar deve ser um vingador vicário, adicto à droga inscrita na dose diária de escândalo que lhe é ministrada.
O civismo do personagem deve confinar-se na indignação instantânea, que fenece no próprio ato de expressão, imediatamente encoberta pelo turbilhão de imagens a respeito de assuntos diversos. Em plena "sociedade da informação", são os ecos do padre Antonil, importante cronista colonial, que se insinuam, ao falar, no século 18, das crianças criadas nos engenhos de açúcar "como tabaréus, que nas conversações não saberão falar de outra coisa mais do que do cão, do cavalo, e do boi".
Mas, mesmo supondo que as energias cognitivas médias do País estejam em estado de deflação – e que passemos grande parte de nossos trabalhos e dias a falar do "cão, do cavalo e do boi" – há coisas que não podem deixar de ser percebidas. Não há como imaginar que os brasileiros sejam, por natureza, menos inteligentes do que outros povos. Nesse sentido, é inacreditável pretender sustentar que o turbilhão que envolve o senador Demóstenes Torres seja extrínseco ao enredo que o constituía, até o momento de sua caída em desgraça, como campeão da direita brasileira e virtual candidato à Presidência da República.
Seu ex-partido – o quase ex-DEM – é formado por experientes expoentes da política tradicional brasileira, que têm noção precisa a respeito do que deva ser a vocação da política. É pouco crível que ao menos parte dos elementos, digamos, biográficos do senador Demóstenes fosse desconhecida de seus pares mais importantes. A cultura política que paira sobre o Estado do Goiás, e parece vincular em uma rede pluripartidária todo o espectro da representação política a um circuito criminoso, não é goiana, sua linguagem e sua gramática podem ser compreendidas em diversos cantos do País. E nesses cantos, entre próceres operadores de outros partidos, há os que pertencem à agremiação que tinha no senador Demóstenes destemido e implacável campeão.
Assim como Nelson Rodrigues definia os tarados como "homem normais pegos em flagrante", os correligionários de Demóstenes Torres, no âmago de suas almas, devem concebê-lo como um "senador normal pego em flagrante". Sua desgraça consiste exatamente no flagrante. É evidente que é um erro generalizar a proposição, mas será ingenuidade desconhecer a plausibilidade do mantra. O caso Demóstenes é expansivo: a mesma rede se apresenta a alguns insuspeitos e a outros nem tanto assim. A rede é viscosa e sua pregnância não reconhece distinções partidárias. O efeito da dispersão – ou da onipresença da relação entre alta criminalidade e alta política – apresenta-se em uma percepção pública, cada vez mais comum e consolidada, de que os agentes públicos apanhados em conversas estranhas são "homens normais pegos em flagrante". O flagrante aparece como capricho; como azar e como descuido que revelam a normalidade das coisas.
Se o espectro do Direito Penal ronda a política, os tribunais, de modo necessário, convertem-se em arenas decisivas, não apenas para a sentença devida, mas para a elucidação do que está a se passar. Graças à inteligente e oportuna intervenção do presidente do Partido dos Trabalhadores, aprendemos que o evento Demóstenes – e toda a infestação que o acompanha – possui, digamos, propriedades compensatórias com relação ao estrago de 2004. Com a palavra o STF, que, assim, cumpre tripla função: a que lhe é própria – a de julgar; a de dirimir disputas políticas; e a de explicar o País para os telespectadores. Do jeito que as coisas seguem, as sentenças do STF qualificam-se como itens bibliográficos obrigatórios para quem quer entender a normalidade do Brasil.
Renato Lessa é professor titular de Teoria Política da Universidade Federal Fluminense; Investigador associado do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa; presidente do Instituto Ciência Hoje.
FONTE: ALIÁS/O ESTADO DE S. PAULO
Se a identidade nacional de uma população for definida por suas práticas mais usuais, pode-se dizer que o brasileiro é, antes de tudo, um telespectador. A medida de exposição diária ao veículo supera a quantidade média de horas passadas pelas crianças brasileiras, a cada dia, nos bancos escolares. Se fosse eu um paranoico amador diria que o conteúdo veiculado está a serviço do propósito de transformar os cidadãos do País em uma cáfila de oligofrênicos cívicos.
(Nota metodológica: por ignorar qual seja o coletivo de "oligofrênicos cívicos", optei por "cáfila", que me parece menos ofensivo do que "vara" e mais apropriado do que "alcateia" ou "enxame"; espero não ser molestado pela Sociedade de Proteção dos Camelos.)
Não sei se há propósito na coisa, mas isso é irrelevante. O que parece ser incontroverso é o fato de que no jorro televisivo o espaço dedicado à informação política resume-se a poucos minutos dos jornais intercalados em meio ao que interessa – as novelas – e a alguns minutos a mais para os notívagos, nos jornais do fim da noite. Da qualidade da informação, pouco há que falar: pouquíssimo texto, abundância de lugares comuns, imagens agressivas. Sobretudo denúncias, já que o animal telespectador que se quer fabricar deve ser um vingador vicário, adicto à droga inscrita na dose diária de escândalo que lhe é ministrada.
O civismo do personagem deve confinar-se na indignação instantânea, que fenece no próprio ato de expressão, imediatamente encoberta pelo turbilhão de imagens a respeito de assuntos diversos. Em plena "sociedade da informação", são os ecos do padre Antonil, importante cronista colonial, que se insinuam, ao falar, no século 18, das crianças criadas nos engenhos de açúcar "como tabaréus, que nas conversações não saberão falar de outra coisa mais do que do cão, do cavalo, e do boi".
Mas, mesmo supondo que as energias cognitivas médias do País estejam em estado de deflação – e que passemos grande parte de nossos trabalhos e dias a falar do "cão, do cavalo e do boi" – há coisas que não podem deixar de ser percebidas. Não há como imaginar que os brasileiros sejam, por natureza, menos inteligentes do que outros povos. Nesse sentido, é inacreditável pretender sustentar que o turbilhão que envolve o senador Demóstenes Torres seja extrínseco ao enredo que o constituía, até o momento de sua caída em desgraça, como campeão da direita brasileira e virtual candidato à Presidência da República.
Seu ex-partido – o quase ex-DEM – é formado por experientes expoentes da política tradicional brasileira, que têm noção precisa a respeito do que deva ser a vocação da política. É pouco crível que ao menos parte dos elementos, digamos, biográficos do senador Demóstenes fosse desconhecida de seus pares mais importantes. A cultura política que paira sobre o Estado do Goiás, e parece vincular em uma rede pluripartidária todo o espectro da representação política a um circuito criminoso, não é goiana, sua linguagem e sua gramática podem ser compreendidas em diversos cantos do País. E nesses cantos, entre próceres operadores de outros partidos, há os que pertencem à agremiação que tinha no senador Demóstenes destemido e implacável campeão.
Assim como Nelson Rodrigues definia os tarados como "homem normais pegos em flagrante", os correligionários de Demóstenes Torres, no âmago de suas almas, devem concebê-lo como um "senador normal pego em flagrante". Sua desgraça consiste exatamente no flagrante. É evidente que é um erro generalizar a proposição, mas será ingenuidade desconhecer a plausibilidade do mantra. O caso Demóstenes é expansivo: a mesma rede se apresenta a alguns insuspeitos e a outros nem tanto assim. A rede é viscosa e sua pregnância não reconhece distinções partidárias. O efeito da dispersão – ou da onipresença da relação entre alta criminalidade e alta política – apresenta-se em uma percepção pública, cada vez mais comum e consolidada, de que os agentes públicos apanhados em conversas estranhas são "homens normais pegos em flagrante". O flagrante aparece como capricho; como azar e como descuido que revelam a normalidade das coisas.
Se o espectro do Direito Penal ronda a política, os tribunais, de modo necessário, convertem-se em arenas decisivas, não apenas para a sentença devida, mas para a elucidação do que está a se passar. Graças à inteligente e oportuna intervenção do presidente do Partido dos Trabalhadores, aprendemos que o evento Demóstenes – e toda a infestação que o acompanha – possui, digamos, propriedades compensatórias com relação ao estrago de 2004. Com a palavra o STF, que, assim, cumpre tripla função: a que lhe é própria – a de julgar; a de dirimir disputas políticas; e a de explicar o País para os telespectadores. Do jeito que as coisas seguem, as sentenças do STF qualificam-se como itens bibliográficos obrigatórios para quem quer entender a normalidade do Brasil.
Renato Lessa é professor titular de Teoria Política da Universidade Federal Fluminense; Investigador associado do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa; presidente do Instituto Ciência Hoje.
FONTE: ALIÁS/O ESTADO DE S. PAULO
sábado, 14 de abril de 2012
GUERRA SANTA E FANIQUITOS CLERICAIS (Malu Fontes)
Tratando-se o Brasil de um Estado laico, ou seja, um país sem vinculações formais, legais, constitucionais com qualquer religião, torna-se difícil decidir, se forem usados os princípios da razoabilidade, claro, o que é mais surpreendente: se o fato de a Suprema Corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF) manter embolorando em suas estantes, durante oito longos anos, uma ação que garante a mulheres grávidas cujos fetos têm diagnóstico de anencefalia, malformação irreversível e incompatível com a vida fora do útero, o direito legal de antecipar o parto ou se surpreendente mesmo é ver o assunto tomado de assalto por turbas clericais que querem fazer suas crenças religiosas pessoais se sobreporem ao direito, às leis e à autonomia. O que os telejornais transmitiram durante a semana foi uma espécie de embate entre argumentos científicos e apelos típicos de uma guerra santa em favor dos fetos anencéfalos.
PORTEIRA PARA FEIOS - Numa militância que em nome da fé juntava numa baciada humana pessoas que iam de Heloísa Helena, a bispos com B maiúsculo e minúsculo, passando por fanáticos que encenaram procissões noturnas em frente ao Supremo carregando lanternas empapeladas medievais, não faltou nem mesmo gente com o quilate de celebridade. O posto dessa categoria foi assumido na turma das lanternas por Elba Ramalho, sim, aquela que já andou dizendo ter sido abduzida por seres interplanetários. Dessa vez o foi pelo fanatismo. Possessos com a perspectiva de o STF garantir às mulheres o direito de não carregar na barriga por nove meses um feto que não vai sobreviver, os auto-declarados defensores da vida não se intimidaram em recorrer a mentiras e golpes baixos.
Mães de filhos com outros tipos de diagnósticos foram para a porta do Supremo expô-los jurando que eram anencéfalos sobreviventes, quando isso jamais pode ou poderia ser verdade. Altas autoridades da Igreja Católica não se intimidaram e apelaram ao senso comum com argumentos abaixo do rasteiro. Bispos da mais alta hierarquia da instituição juravam aos fiéis que autorizar a interrupção de gravidez em casos de anencefalia era abrir a porteira para a eugenia. Era só o começo para logo autorizarem o assassinato de deficientes, diferentes e até mesmo, pasmem, feios!!
BISPO DA PESCA - Não, nenhuma diversidade humana, muito menos a feiúra, que há milênios vive e sobrevive tranquila e em maioria no mundo, corre o risco apregoado pelos profetas insanos. Com o placar de 8 votos favoráveis à antecipação do parto e 2 contra, agora somente as grávidas que compartilham a tese de Elba, Heloísa e seus amigos bispos com B e b poderão continuar acalentando em seus ventres um feto que jamais terá possibilidade de sobrevivência fora do útero.
Entre as reações possessas à decisão do Supremo está a do bispo que caiu na rede do Ministério da Pesca sem saber pescar. Para ele, o que o STF fez foi usurpar as funções do Congresso, a quem cabe legislar, deliberar sobre o que pode e o que não pode, em termos de direito, o cidadão brasileiro. Ora, quem não quer legislar é o Congresso. Quem tem dúvidas que a maioria dos parlamentares brasileiros não quer nem de longe meter a mão em cumbucas polêmicas? O eleitorado é beato, conservador e hipócrita e tudo o que deputado ou senador não quer é perder voto. Se não, como vão se aproximar dos Midas corruptores como os Cachoeiras e que tais que lhes enchem os bolsos? Falar sobre anencefalia, contra ou a favor, significa perda de voto. E perder voto é ficar longe de oportunidades de enriquecimento fácil e rápido. Legislar para quê? Melhor discutir o valor das verbas indenizatórias e ficar esperando um Ministério.
CAETANO - Quanto aos beatos de lanterna no STF, refletir não dói: o Brasil registrou, nos últimos 30 anos, 1,1 milhão de assassinatos (e aqui nem entram os mais de 30 mil mortos, a cada ano, no trânsito, sem que ninguém esteja preso por isso). E cadê esse povo das lanternas rezando contra isso em frente ao Congresso, ao Ministério da Justiça, aos institutos médicos legais? Quanto paradoxo, se diante de fetos sem encéfalo são capazes de tanto clamor no Planalto Central, não? E viva Caetano: “E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital? E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto e nenhum no marginal?” Embora tenha votado a favor, o ministro Gilmar Mendes, performático que só, atacou o que chamou de cerceamento da expressão dos grupos religiosos, por parte de cientistas, médicos, acadêmicos, militantes feministas, advogados, etc. Disse que os defensores da ação tiveram faniquitos anti-clericais. Ora e os faniquitos clericais dos que acusam os apoiadores da causa de eugênicos, nazistas e assassinos?
Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Texto publicado originalmente em 15 de abril de 2012, no jornal A Tarde, Caderno 2, p. 05, Salvador/BA; maluzes@gmail.com
PORTEIRA PARA FEIOS - Numa militância que em nome da fé juntava numa baciada humana pessoas que iam de Heloísa Helena, a bispos com B maiúsculo e minúsculo, passando por fanáticos que encenaram procissões noturnas em frente ao Supremo carregando lanternas empapeladas medievais, não faltou nem mesmo gente com o quilate de celebridade. O posto dessa categoria foi assumido na turma das lanternas por Elba Ramalho, sim, aquela que já andou dizendo ter sido abduzida por seres interplanetários. Dessa vez o foi pelo fanatismo. Possessos com a perspectiva de o STF garantir às mulheres o direito de não carregar na barriga por nove meses um feto que não vai sobreviver, os auto-declarados defensores da vida não se intimidaram em recorrer a mentiras e golpes baixos.
Mães de filhos com outros tipos de diagnósticos foram para a porta do Supremo expô-los jurando que eram anencéfalos sobreviventes, quando isso jamais pode ou poderia ser verdade. Altas autoridades da Igreja Católica não se intimidaram e apelaram ao senso comum com argumentos abaixo do rasteiro. Bispos da mais alta hierarquia da instituição juravam aos fiéis que autorizar a interrupção de gravidez em casos de anencefalia era abrir a porteira para a eugenia. Era só o começo para logo autorizarem o assassinato de deficientes, diferentes e até mesmo, pasmem, feios!!
BISPO DA PESCA - Não, nenhuma diversidade humana, muito menos a feiúra, que há milênios vive e sobrevive tranquila e em maioria no mundo, corre o risco apregoado pelos profetas insanos. Com o placar de 8 votos favoráveis à antecipação do parto e 2 contra, agora somente as grávidas que compartilham a tese de Elba, Heloísa e seus amigos bispos com B e b poderão continuar acalentando em seus ventres um feto que jamais terá possibilidade de sobrevivência fora do útero.
Entre as reações possessas à decisão do Supremo está a do bispo que caiu na rede do Ministério da Pesca sem saber pescar. Para ele, o que o STF fez foi usurpar as funções do Congresso, a quem cabe legislar, deliberar sobre o que pode e o que não pode, em termos de direito, o cidadão brasileiro. Ora, quem não quer legislar é o Congresso. Quem tem dúvidas que a maioria dos parlamentares brasileiros não quer nem de longe meter a mão em cumbucas polêmicas? O eleitorado é beato, conservador e hipócrita e tudo o que deputado ou senador não quer é perder voto. Se não, como vão se aproximar dos Midas corruptores como os Cachoeiras e que tais que lhes enchem os bolsos? Falar sobre anencefalia, contra ou a favor, significa perda de voto. E perder voto é ficar longe de oportunidades de enriquecimento fácil e rápido. Legislar para quê? Melhor discutir o valor das verbas indenizatórias e ficar esperando um Ministério.
CAETANO - Quanto aos beatos de lanterna no STF, refletir não dói: o Brasil registrou, nos últimos 30 anos, 1,1 milhão de assassinatos (e aqui nem entram os mais de 30 mil mortos, a cada ano, no trânsito, sem que ninguém esteja preso por isso). E cadê esse povo das lanternas rezando contra isso em frente ao Congresso, ao Ministério da Justiça, aos institutos médicos legais? Quanto paradoxo, se diante de fetos sem encéfalo são capazes de tanto clamor no Planalto Central, não? E viva Caetano: “E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital? E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto e nenhum no marginal?” Embora tenha votado a favor, o ministro Gilmar Mendes, performático que só, atacou o que chamou de cerceamento da expressão dos grupos religiosos, por parte de cientistas, médicos, acadêmicos, militantes feministas, advogados, etc. Disse que os defensores da ação tiveram faniquitos anti-clericais. Ora e os faniquitos clericais dos que acusam os apoiadores da causa de eugênicos, nazistas e assassinos?
Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Texto publicado originalmente em 15 de abril de 2012, no jornal A Tarde, Caderno 2, p. 05, Salvador/BA; maluzes@gmail.com
Dos Bonapartismos e de Bonaparte no Espírito Santo
1. O artigo de Francisco Celso Calmon, "Amnésia conveniente", foi a boa pedida de leitura desse sábado, 02/04/12, A Gazeta. Na verdade, discutindo o sentido e a lógica da eleição em dois turnos, desvenda o conteúdo autoritário, e, por consequência, antidemocrático, das articulações que buscam em nome de pretensos consensos eliminar ...a vontade da cidadania no processo eleitoral.
Para o autor, "forçar sempre as coligações no primeiro turno é enfraquecer a democracia do método eleitoral. A busca do consenso não deve significar o anátema do contraditório ideológico da sociedade. O consenso fruto do oportunismo eleitoral, longe de significar amadurecimento, significa delongar as contradições e o vir-a-ser da hegemonia do povo."
2. Na verdade, embora essa lógica tenha quase eliminado a crítica e o contraditório na política capixaba, algumas vozes ousaram desafiar e desafinar o coro dos contentes.
Unanimismo, vontade única e unanimidade bonapartista foram algumas das denominações escolhidas para explicar essa espécie de tentativa de "mexicanização" da política capixaba.
Roberto Garcia Simões, em artigo publicado em AG, comentando a tentativa de elevar a candidatura Paulo Hartung a condição de candidato único (ou quase), diz que se vitorioso esse projeto "a eleição vira, ..., uma mera formalidade: o voto confirma na urna o que já foi confirmado nas cúpulas. Institui-se um simulacro de democracia".
Em artigo nesse blog, sobre o projeto "unanimista", comentei:
"E, nesse processo, a eleição passa a ser apenas um mal necessário. Exigência formal da qual nem o regime autoritário implantado pelos militares teve coragem de suprimir, mas que pode ser contornado pelos acordos de cúpula e concertação de interesses entre os dirigentes partidários. Se há uma voz dissonante deve ser neutralizada, isolada e, se possível, politicamente exterminada.
E, assim, assegura-se uma nova ordem, fundada no "unanimismo", na versão capixaba do antigo modelo soviético do "partido único", agora transmutado na forma de "vontade única"."
"Unanimidade bonapartista" foi o conceito escolhido por Luiz Paulo Vellozo Lucas para tentar interpretar o jogo imposto em nome de uma tal de "geopolítica" no período governamental de Hartung, expresso em uma série de entrevistas e em artigo que redigiu na época (não sei se chegou a ser publicado).
Calmon também vai recorrer ao conceito, mas sem nominar quem seria o nosso Luís Bonaparte: "Marx, no 18 Brumário (no qual criou o conceito de bonapartismo), mostra que a luta das classes por seus interesses não é linear e horizontal, mas fracionada e transversal. Posto que o estrutural conjugava-se com o conjuntural, a estratégia com a tática. O bonapartismo de ontem é o consensualismo de hoje, ambos buscaram e buscam um governo acima das classes. É uma cortina para continuar com a mesma estrutura de poder."
3. Para os mais jovens, e que não conhecem as leituras de marx, um recorte histórico para entender as referências:
"O 18 Brumário de Luís Bonaparte" é um clássico da Ciência Política e, talvez, o melhor texto de uma análise de uma conjuntura.
Marx parte da análise concreta dos acontecimentos revolucionários em França, entre 1848 e 1851, que levaram ao golpe de estado pelo qual Napoleão III se nomeou imperador, à semelhança de seu tio Napoleão I. (Se nomeou imperador. Vejam que alguns "curtidores" e "gozadores" do carnaval da Barra do Jucu talvez tenham lido Marx ou é mera coincidência algumas nominações?)
Nesse trabalho, são desenvolvidas as teses fundamentais do materialismo histórico: a teoria da luta de classes e da revolução proletária, a doutrina do Estado e da ditadura do proletariado.
Na análise do personagem central, a elaboração do conceito e uma caracterização profunda do fenômeno do Bonapartismo.
Quem diria que um dia o conceito clássico elaborado por Marx e também trabalhado por Gramsci seria a "ferramenta teórica" para entender o Espírito Santo da primeira década do século XXI?
4. "O desafio na democracia moderna é aprendermos a lidar com o contraditório como um modo de ser, sem beligerância, como motor da evolução política, em vez de tentar suprimi-lo à guisa da falsa e precária harmonia." (francisco C. Calmon).
Vontade única, unanimismo, bonapartismo ou hegemonia bonapartista não interessa: é um processo que nega a pluralidade, a crítica e o direito a crítica, no
jogo de bastidores elimina a livre competição pelo poder.
Em nome de uma pretensa unidade necessária para salvar o estado de seus "inimigos", todos os oponentes são satanizados e uma figura salvadora, oniponte e onisciente, dispõe de todos os cordéis para a representação do espetáculo político.
(artigo publicado no facebook em 05/04/13 e, agora, republicado devidamente revisado).
Para o autor, "forçar sempre as coligações no primeiro turno é enfraquecer a democracia do método eleitoral. A busca do consenso não deve significar o anátema do contraditório ideológico da sociedade. O consenso fruto do oportunismo eleitoral, longe de significar amadurecimento, significa delongar as contradições e o vir-a-ser da hegemonia do povo."
2. Na verdade, embora essa lógica tenha quase eliminado a crítica e o contraditório na política capixaba, algumas vozes ousaram desafiar e desafinar o coro dos contentes.
Unanimismo, vontade única e unanimidade bonapartista foram algumas das denominações escolhidas para explicar essa espécie de tentativa de "mexicanização" da política capixaba.
Roberto Garcia Simões, em artigo publicado em AG, comentando a tentativa de elevar a candidatura Paulo Hartung a condição de candidato único (ou quase), diz que se vitorioso esse projeto "a eleição vira, ..., uma mera formalidade: o voto confirma na urna o que já foi confirmado nas cúpulas. Institui-se um simulacro de democracia".
Em artigo nesse blog, sobre o projeto "unanimista", comentei:
"E, nesse processo, a eleição passa a ser apenas um mal necessário. Exigência formal da qual nem o regime autoritário implantado pelos militares teve coragem de suprimir, mas que pode ser contornado pelos acordos de cúpula e concertação de interesses entre os dirigentes partidários. Se há uma voz dissonante deve ser neutralizada, isolada e, se possível, politicamente exterminada.
E, assim, assegura-se uma nova ordem, fundada no "unanimismo", na versão capixaba do antigo modelo soviético do "partido único", agora transmutado na forma de "vontade única"."
"Unanimidade bonapartista" foi o conceito escolhido por Luiz Paulo Vellozo Lucas para tentar interpretar o jogo imposto em nome de uma tal de "geopolítica" no período governamental de Hartung, expresso em uma série de entrevistas e em artigo que redigiu na época (não sei se chegou a ser publicado).
Calmon também vai recorrer ao conceito, mas sem nominar quem seria o nosso Luís Bonaparte: "Marx, no 18 Brumário (no qual criou o conceito de bonapartismo), mostra que a luta das classes por seus interesses não é linear e horizontal, mas fracionada e transversal. Posto que o estrutural conjugava-se com o conjuntural, a estratégia com a tática. O bonapartismo de ontem é o consensualismo de hoje, ambos buscaram e buscam um governo acima das classes. É uma cortina para continuar com a mesma estrutura de poder."
3. Para os mais jovens, e que não conhecem as leituras de marx, um recorte histórico para entender as referências:
"O 18 Brumário de Luís Bonaparte" é um clássico da Ciência Política e, talvez, o melhor texto de uma análise de uma conjuntura.
Marx parte da análise concreta dos acontecimentos revolucionários em França, entre 1848 e 1851, que levaram ao golpe de estado pelo qual Napoleão III se nomeou imperador, à semelhança de seu tio Napoleão I. (Se nomeou imperador. Vejam que alguns "curtidores" e "gozadores" do carnaval da Barra do Jucu talvez tenham lido Marx ou é mera coincidência algumas nominações?)
Nesse trabalho, são desenvolvidas as teses fundamentais do materialismo histórico: a teoria da luta de classes e da revolução proletária, a doutrina do Estado e da ditadura do proletariado.
Na análise do personagem central, a elaboração do conceito e uma caracterização profunda do fenômeno do Bonapartismo.
Quem diria que um dia o conceito clássico elaborado por Marx e também trabalhado por Gramsci seria a "ferramenta teórica" para entender o Espírito Santo da primeira década do século XXI?
4. "O desafio na democracia moderna é aprendermos a lidar com o contraditório como um modo de ser, sem beligerância, como motor da evolução política, em vez de tentar suprimi-lo à guisa da falsa e precária harmonia." (francisco C. Calmon).
Vontade única, unanimismo, bonapartismo ou hegemonia bonapartista não interessa: é um processo que nega a pluralidade, a crítica e o direito a crítica, no
jogo de bastidores elimina a livre competição pelo poder.
Em nome de uma pretensa unidade necessária para salvar o estado de seus "inimigos", todos os oponentes são satanizados e uma figura salvadora, oniponte e onisciente, dispõe de todos os cordéis para a representação do espetáculo político.
(artigo publicado no facebook em 05/04/13 e, agora, republicado devidamente revisado).
terça-feira, 10 de abril de 2012
"Tempos de insegurança"
Importante que setores da mídia capixaba se mostrem preocupados e passem a criticar a política de segurança do governo Casagrandre e o desempenho do Secretário Henrique Henrique Geaquinto Herkenhoff. Afinal, se nos últimos, digamos, 10 anos não fizeram isso, nunca é tarde para começar.
A ausência de crítica sobre as políticas sociais, especialmente da política de segurança pública, levava a pensar que a imprensa local cumpria um período de "silencio obsequioso", só quebrado porque Élio Gaspari chutou o pau da barraca e trouxe ao conhecimento da opinião pública nacional e capixaba o que denominou de "Masmorras capixabas". Eu acho que Henrique Geaquinto Herkenhoff lembra.
É engraçado que durante o mandarinato de Rodey Miranda a frente da Secretaria de Segurança Pública/ES, quando os índices negativos explodiram e colocaram o ES nos primeiros lugares do ranking da violencia no Brasil, não se faziam críticas sistemáticas ao desempenho do então Secretário nem se registravam as possíveis insatisfações no meio policial quanto a condução da política de segurança.
Álias, como registra o Gustavo Varella no twitter, "Ficam culpando o Henrique Geaquinto Herkenhoff e o Casagrande pela violência no ES! As polícias foram sucateadas e desrespeitadas durante 8 anos.." Traduzindo: se hoje chegamos ao ponto a que chegamos é porque tivemos uma política, enquanto política de Governo, escolha e definição de prioridades governamentais, que levou ao sucateamento do aparelho de segurança do estado. Assim como na educação, assim como na saúde, assim como nos Direitos Humanos Es (não esquecer que estamos até hoje na Corte da OEA).
Ou então, abrindo um parenteses para o pertinente comentário de Cláudio mendonça, com direito a sobrevôo na política de Vila Velha:
"Tem político que só pode está brincando com a população. Uma pessoa que teve em suas mãos o comando das polícias civil e militar e mesmo assim não conseguiu apresentar nenhum projeto decente para reduzir a criminalidade no ES, pior, viu os índices de violência subirem como nunca antes na história do estado. Comandou esquema de grampo telefônico na maior instituição de comunicação do ES, saiu culpando a polícia militar pelos problemas da segurança pública (quem comandava a polícia militar na época era o próprio acusador).
Agora apregoa que quer ser prefeito de Vila Velha para combater a violência. Não deu conta quando era o chefe da segurança pública no estado e só tinha isto para pensar, imaginem se vai dar conta de trabalhar contra a violência sem comandar polícia e ainda tendo que cuidar da saúde, educação, transporte, assistência social, desenvolvimento econômico, cidadania, geração de trabalho e renda, turismo, cultura, esporte, lazer, meio ambiente...e ainda dos alagamentos da cidade.
O mal do malandro de gravata é acreditar que o cidadão de camiseta é Mané".
Fechando o parenteses e concluindo em cima desses "assim como": o chamado Novo Espírito Santo não chegou ao povo capixaba, ficou centrado nas elites empresariais.
E no mais, é como disse o Mauro Petersem Domingues:
Eu entendo que muitos dos defeitos que estão sendo apontados agora como sendo do atual governo do Espírito Santo, de Renato Casagrande são, de fato, herdados de governos anteriores.
Mas o grande defeito do governo Casagrande é ignorar a necessidade de romper com as práticas anteriores e fundar uma nova forma de fazer política no ES. Então, já que resolveu perpetuar as práticas do passado, merece as críticas que lhe estão sendo dirigidas.
E, nessa, desgasta-se o atual governo e preserva-se a imagem do anterior, criando condições para que a fonte dos problemas fique mascarada sob um debate em torno de gestores mais ou menos competentes.
O estado do Espírito Santo precisa de governantes que se voltem para as necessidades de seu povo, e não apenas para as do capital e seus interesses".
(Nota de rodapé I) nesse registro que nessas situações de "toque de recolher" nas comunidades por ação do tráfico, sob ordens de presos que estão em presídios de segurança máxima é nessário aprofundar essa história de "facilitadores" no acesso a celulares e telefones fixos.
Para lembrar, a história sempre acaba em cima de "lambaris" e "bagrinhos", ou seja, a culpa sempre recai sobre um agente ou funcionário menor. E se os presos tivessem acesso a telefones por permissão de autoridades superiores do sistema? E se, por exemplo, o acesso fosse uma forma de assegurar a "tranquilidade" nos presídios?
O secretário Henrique Geaquinto Herkenhoff está chegando agora, será que já pensou nisso?
(Nota de rodapé II) ainda nesse domingo, a coluna Plenário registrou que o Deputado Gilsinho Lopes é um dos principais críticos a atual política de segurança. Considerando que o deputado é um dos representantes daquilo que se convencionou chamar de "velha Assembléia", eis aí um bom motivo para o apoio a ação e desempenho do Secretário Herkenhoff.
Observação: esse "artigo" é a sistematização de pequenas notas postadas no meu facebook e comentários de amigos.
A ausência de crítica sobre as políticas sociais, especialmente da política de segurança pública, levava a pensar que a imprensa local cumpria um período de "silencio obsequioso", só quebrado porque Élio Gaspari chutou o pau da barraca e trouxe ao conhecimento da opinião pública nacional e capixaba o que denominou de "Masmorras capixabas". Eu acho que Henrique Geaquinto Herkenhoff lembra.
É engraçado que durante o mandarinato de Rodey Miranda a frente da Secretaria de Segurança Pública/ES, quando os índices negativos explodiram e colocaram o ES nos primeiros lugares do ranking da violencia no Brasil, não se faziam críticas sistemáticas ao desempenho do então Secretário nem se registravam as possíveis insatisfações no meio policial quanto a condução da política de segurança.
Álias, como registra o Gustavo Varella no twitter, "Ficam culpando o Henrique Geaquinto Herkenhoff e o Casagrande pela violência no ES! As polícias foram sucateadas e desrespeitadas durante 8 anos.." Traduzindo: se hoje chegamos ao ponto a que chegamos é porque tivemos uma política, enquanto política de Governo, escolha e definição de prioridades governamentais, que levou ao sucateamento do aparelho de segurança do estado. Assim como na educação, assim como na saúde, assim como nos Direitos Humanos Es (não esquecer que estamos até hoje na Corte da OEA).
Ou então, abrindo um parenteses para o pertinente comentário de Cláudio mendonça, com direito a sobrevôo na política de Vila Velha:
"Tem político que só pode está brincando com a população. Uma pessoa que teve em suas mãos o comando das polícias civil e militar e mesmo assim não conseguiu apresentar nenhum projeto decente para reduzir a criminalidade no ES, pior, viu os índices de violência subirem como nunca antes na história do estado. Comandou esquema de grampo telefônico na maior instituição de comunicação do ES, saiu culpando a polícia militar pelos problemas da segurança pública (quem comandava a polícia militar na época era o próprio acusador).
Agora apregoa que quer ser prefeito de Vila Velha para combater a violência. Não deu conta quando era o chefe da segurança pública no estado e só tinha isto para pensar, imaginem se vai dar conta de trabalhar contra a violência sem comandar polícia e ainda tendo que cuidar da saúde, educação, transporte, assistência social, desenvolvimento econômico, cidadania, geração de trabalho e renda, turismo, cultura, esporte, lazer, meio ambiente...e ainda dos alagamentos da cidade.
O mal do malandro de gravata é acreditar que o cidadão de camiseta é Mané".
Fechando o parenteses e concluindo em cima desses "assim como": o chamado Novo Espírito Santo não chegou ao povo capixaba, ficou centrado nas elites empresariais.
E no mais, é como disse o Mauro Petersem Domingues:
Eu entendo que muitos dos defeitos que estão sendo apontados agora como sendo do atual governo do Espírito Santo, de Renato Casagrande são, de fato, herdados de governos anteriores.
Mas o grande defeito do governo Casagrande é ignorar a necessidade de romper com as práticas anteriores e fundar uma nova forma de fazer política no ES. Então, já que resolveu perpetuar as práticas do passado, merece as críticas que lhe estão sendo dirigidas.
E, nessa, desgasta-se o atual governo e preserva-se a imagem do anterior, criando condições para que a fonte dos problemas fique mascarada sob um debate em torno de gestores mais ou menos competentes.
O estado do Espírito Santo precisa de governantes que se voltem para as necessidades de seu povo, e não apenas para as do capital e seus interesses".
(Nota de rodapé I) nesse registro que nessas situações de "toque de recolher" nas comunidades por ação do tráfico, sob ordens de presos que estão em presídios de segurança máxima é nessário aprofundar essa história de "facilitadores" no acesso a celulares e telefones fixos.
Para lembrar, a história sempre acaba em cima de "lambaris" e "bagrinhos", ou seja, a culpa sempre recai sobre um agente ou funcionário menor. E se os presos tivessem acesso a telefones por permissão de autoridades superiores do sistema? E se, por exemplo, o acesso fosse uma forma de assegurar a "tranquilidade" nos presídios?
O secretário Henrique Geaquinto Herkenhoff está chegando agora, será que já pensou nisso?
(Nota de rodapé II) ainda nesse domingo, a coluna Plenário registrou que o Deputado Gilsinho Lopes é um dos principais críticos a atual política de segurança. Considerando que o deputado é um dos representantes daquilo que se convencionou chamar de "velha Assembléia", eis aí um bom motivo para o apoio a ação e desempenho do Secretário Herkenhoff.
Observação: esse "artigo" é a sistematização de pequenas notas postadas no meu facebook e comentários de amigos.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Quem perde com Demóstenes (Renato Janine Ribeiro)
Quem saiu perdendo com a queda do senador Demóstenes Torres? Parece óbvio que a primeira vítima é o partido que ele liderou no Senado. Demóstenes angariou tal prestígio na oposição que, com exagero, seu nome até estava sendo cogitado para concorrer ao Planalto, num fantasioso voo solo do DEM. Mas o Democratas, embora perdendo seu orador mais destacado, foi rápido no gatilho. Em uma semana, afastou-o. De olho nas eleições deste ano, o partido espera ganhar votos com a imagem de uma agremiação que, se preciso, corta na carne. Mas o máximo que ele pode querer é estancar a hemorragia, sem conseguir voltar ao tempo em que tinha boa saúde e, na reeleição de FHC, em 1998, atingia a maior bancada de deputados federais. Talvez o episódio precipite o fim do DEM, que se incorporaria a outro partido, provavelmente o PSDB.
Quem mais perde, com as denúncias éticas contra o senador, é a oposição e sua estratégia principal. Os partidos oposicionistas se dedicaram, desde o segundo ano de Lula na Presidência, a acusar o governo federal de corrupto. A certa altura, a estratégia aparentou dar certo. José Dirceu foi cassado. Em meados do primeiro mandato, Lula parecia estar ameaçado. Até se sugeriu que o PSDB o pouparia da vergonha de um "impeachment"; em troca, Lula renunciaria a postular a reeleição, em 2006. Hoje, essa hipótese parece insensata. Lula conseguiu uma popularidade invejável. As duas eleições presidenciais realizadas em sua administração consagraram sua liderança. O impacto das denúncias de corrupção contra o governo se reduziu significativamente. Elas ainda mobilizam certos setores da sociedade, em especial a classe média e, sobretudo, em São Paulo. São fortes na imprensa de oposição. Pouco mais que isso.
O PT coloca a oposição na defensiva ética
O episódio do senador Demóstenes é, na verdade, o ponto culminante de uma reversão de curso. Por vários anos, acusações de corrupção choveram contra o PT e seus aliados. Desde o ano passado, porém, elas se têm dirigido também contra a oposição. Deixo claro, desde já, que não avalizo nenhuma denúncia; sei que há órgãos com a competência, ou jurídica ou técnica, para saber quais procedem e quais não. Não é meu caso. Apenas posso notar o impacto das acusações sobre a opinião pública. Ora, o fato é que na campanha de 2010 a candidata Dilma Rousseff acusou de malfeitos um antigo executivo do Rodoanel, em São Paulo; depois, saiu o livro "A Privataria Tucana", que acusa o ex-governador José Serra de envolvimentos ilícitos; e, agora, vemos cair o senador de Goiás, que era a voz mais ativa da oposição no Parlamento. Evidentemente, os acusados se declaram inocentes. E podem sê-lo. Mas assistimos a um movimento que antes não existia. De 2004 a 2009, a oposição reinou sozinha nas denúncias de corrupção. Nos últimos dois anos, porém, a esquerda começou a acusar líderes tucanos e demistas. A queda do senador é o efeito até agora mais claro dessa mudança nos papéis de acusador e acusado.
Ou seja, durante uns cinco anos, os defensores do governo evitavam a questão da corrupção. Esta, que fora tema essencial do PT na oposição, tornou-se assunto delicado, para ele, uma vez no governo. Desde o caso de Waldomiro Diniz - ironicamente, tendo como interlocutor o mesmo Carlos Cachoeira que hoje é a chave do noticiário contra a oposição - os partidos governistas minimizaram a importância da corrupção, contestaram as intenções de quem a denunciava, disseram que todos faziam isso e/ou encontraram suas causas nos modos de financiamento das campanhas políticas. Desses argumentos, o que aponta os vícios de nosso sistema partidário pode ser correto. Mas todos eram alegados com incrível mal-estar. Contudo, no último ano, os partidos do governo obtiveram munição para discutir no próprio campo adversário. Saíram da defensiva e passaram ao ataque. Nos primeiros embates, não chamaram maior atenção. A oposição continuou a denunciar, satisfeita de encontrar nos ministérios alvos que não eram cândidos. Porém, desde o livro do jornalista Amaury Jr., a situação começou a mudar. Repito que não endosso suas palavras. Apenas observo que o PSDB ainda não aproveitou a chance de responder sistematicamente a seus ataques, com uma refutação, item por item, cabal, do que ele disse.
O livro em questão pode ser contestado. O incontestável é a proximidade do senador com uma pessoa que os jornais não se pejam de chamar de criminoso. Essa se torna uma vitória dos partidos governistas no campo mesmo para o qual a oposição levou o debate político, o da corrupção nos negócios públicos. O que exige, da oposição, que tente devolver a discussão sobre os rumos do Brasil para projetos de país. Se assim agir, o escândalo terá feito bem a nossa vida política.
Contudo, não se pode dizer que o lado governista ganhou a contenda. Venceu a batalha, mas a guerra... A má fama dos políticos acaba afetando a todos. Converso muito com pessoas que não conheço, das mais variadas classes. Mesmo que eu não levante a questão política, ela surge. Noto um descontentamento com todos os partidos. Na verdade, a acusação de corrupção domina quase toda a vida republicana no Brasil. A República Velha, Getúlio, a democracia de 1946, a ditadura militar e a democracia de 1985, todas elas, tiveram por mais constante tema de crítica política a corrupção. Houve algumas exceções. A mais recente foi o PT, até chegar ao poder e, navegando em seu vácuo, o PSDB, também até a Presidência. Desde então, vivemos num país desapontado com os políticos e, em decorrência, com a política. Essa, a derradeira má contribuição do senador Demóstenes: deixar-nos ainda mais blasés.
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.
FONTE: VALOR ECONÔMICO
Quem mais perde, com as denúncias éticas contra o senador, é a oposição e sua estratégia principal. Os partidos oposicionistas se dedicaram, desde o segundo ano de Lula na Presidência, a acusar o governo federal de corrupto. A certa altura, a estratégia aparentou dar certo. José Dirceu foi cassado. Em meados do primeiro mandato, Lula parecia estar ameaçado. Até se sugeriu que o PSDB o pouparia da vergonha de um "impeachment"; em troca, Lula renunciaria a postular a reeleição, em 2006. Hoje, essa hipótese parece insensata. Lula conseguiu uma popularidade invejável. As duas eleições presidenciais realizadas em sua administração consagraram sua liderança. O impacto das denúncias de corrupção contra o governo se reduziu significativamente. Elas ainda mobilizam certos setores da sociedade, em especial a classe média e, sobretudo, em São Paulo. São fortes na imprensa de oposição. Pouco mais que isso.
O PT coloca a oposição na defensiva ética
O episódio do senador Demóstenes é, na verdade, o ponto culminante de uma reversão de curso. Por vários anos, acusações de corrupção choveram contra o PT e seus aliados. Desde o ano passado, porém, elas se têm dirigido também contra a oposição. Deixo claro, desde já, que não avalizo nenhuma denúncia; sei que há órgãos com a competência, ou jurídica ou técnica, para saber quais procedem e quais não. Não é meu caso. Apenas posso notar o impacto das acusações sobre a opinião pública. Ora, o fato é que na campanha de 2010 a candidata Dilma Rousseff acusou de malfeitos um antigo executivo do Rodoanel, em São Paulo; depois, saiu o livro "A Privataria Tucana", que acusa o ex-governador José Serra de envolvimentos ilícitos; e, agora, vemos cair o senador de Goiás, que era a voz mais ativa da oposição no Parlamento. Evidentemente, os acusados se declaram inocentes. E podem sê-lo. Mas assistimos a um movimento que antes não existia. De 2004 a 2009, a oposição reinou sozinha nas denúncias de corrupção. Nos últimos dois anos, porém, a esquerda começou a acusar líderes tucanos e demistas. A queda do senador é o efeito até agora mais claro dessa mudança nos papéis de acusador e acusado.
Ou seja, durante uns cinco anos, os defensores do governo evitavam a questão da corrupção. Esta, que fora tema essencial do PT na oposição, tornou-se assunto delicado, para ele, uma vez no governo. Desde o caso de Waldomiro Diniz - ironicamente, tendo como interlocutor o mesmo Carlos Cachoeira que hoje é a chave do noticiário contra a oposição - os partidos governistas minimizaram a importância da corrupção, contestaram as intenções de quem a denunciava, disseram que todos faziam isso e/ou encontraram suas causas nos modos de financiamento das campanhas políticas. Desses argumentos, o que aponta os vícios de nosso sistema partidário pode ser correto. Mas todos eram alegados com incrível mal-estar. Contudo, no último ano, os partidos do governo obtiveram munição para discutir no próprio campo adversário. Saíram da defensiva e passaram ao ataque. Nos primeiros embates, não chamaram maior atenção. A oposição continuou a denunciar, satisfeita de encontrar nos ministérios alvos que não eram cândidos. Porém, desde o livro do jornalista Amaury Jr., a situação começou a mudar. Repito que não endosso suas palavras. Apenas observo que o PSDB ainda não aproveitou a chance de responder sistematicamente a seus ataques, com uma refutação, item por item, cabal, do que ele disse.
O livro em questão pode ser contestado. O incontestável é a proximidade do senador com uma pessoa que os jornais não se pejam de chamar de criminoso. Essa se torna uma vitória dos partidos governistas no campo mesmo para o qual a oposição levou o debate político, o da corrupção nos negócios públicos. O que exige, da oposição, que tente devolver a discussão sobre os rumos do Brasil para projetos de país. Se assim agir, o escândalo terá feito bem a nossa vida política.
Contudo, não se pode dizer que o lado governista ganhou a contenda. Venceu a batalha, mas a guerra... A má fama dos políticos acaba afetando a todos. Converso muito com pessoas que não conheço, das mais variadas classes. Mesmo que eu não levante a questão política, ela surge. Noto um descontentamento com todos os partidos. Na verdade, a acusação de corrupção domina quase toda a vida republicana no Brasil. A República Velha, Getúlio, a democracia de 1946, a ditadura militar e a democracia de 1985, todas elas, tiveram por mais constante tema de crítica política a corrupção. Houve algumas exceções. A mais recente foi o PT, até chegar ao poder e, navegando em seu vácuo, o PSDB, também até a Presidência. Desde então, vivemos num país desapontado com os políticos e, em decorrência, com a política. Essa, a derradeira má contribuição do senador Demóstenes: deixar-nos ainda mais blasés.
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.
FONTE: VALOR ECONÔMICO
sexta-feira, 6 de abril de 2012
"Tempos de insegurança"
Importante que setores da mídia capixaba se mostrem preocupados e passem a criticar a política de segurança do governo Casagrandre e o desempenho do Secretário Henrique Henrique Geaquinto Herkenhoff. Afinal, se nos últimos, digamos, 10 anos não fizeram isso, nunca é tarde para começar.
A ausência de crítica sobre as políticas sociais, especialmente da política de segurança pública, levava a pensar que a imprensa local cumpria um período de "silencio obsequioso", só quebrado porque Élio Gaspari chutou o pau da barraca e trouxe ao conhecimento da opinião pública nacional e capixaba o que denominou de "Masmorras capixabas". Eu acho que Henrique Geaquinto Herkenhoff lembra.
É engraçado que durante o mandarinato de Rodey Miranda a frente da Secretaria de Segurança Pública/ES, quando os índices negativos explodiram e colocaram o ES nos primeiros lugares do ranking da violencia no Brasil, não se faziam críticas sistemáticas ao desempenho do então Secretário nem se registravam as possíveis insatisfações no meio policial quanto a condução da política de segurança.
Álias, como registra o Gustavo Varella no twitter, "Ficam culpando o Henrique Geaquinto Herkenhoff e o Casagrande pela violência no ES! As polícias foram sucateadas e desrespeitadas durante 8 anos.." Traduzindo: se hoje chegamos ao ponto a que chegamos é porque tivemos uma política, enquanto política de Governo, escolha e definição de prioridades governamentais, que levou ao sucateamento do aparelho de segurança do estado. Assim como na educação, assim como na saúde, assim como nos Direitos Humanos Es (não esquecer que estamos até hoje na Corte da OEA).
Ou então, abrindo um parenteses para o pertinente comentário de Cláudio mendonça, com direito a sobrevôo na política de Vila Velha:
"Tem político que só pode está brincando com a população. Uma pessoa que teve em suas mãos o comando das polícias civil e militar e mesmo assim não conseguiu apresentar nenhum projeto decente para reduzir a criminalidade no ES, pior, viu os índices de violência subirem como nunca antes na história do estado. Comandou esquema de grampo telefônico na maior instituição de comunicação do ES, saiu culpando a polícia militar pelos problemas da segurança pública (quem comandava a polícia militar na época era o próprio acusador).
Agora apregoa que quer ser prefeito de Vila Velha para combater a violência. Não deu conta quando era o chefe da segurança pública no estado e só tinha isto para pensar, imaginem se vai dar conta de trabalhar contra a violência sem comandar polícia e ainda tendo que cuidar da saúde, educação, transporte, assistência social, desenvolvimento econômico, cidadania, geração de trabalho e renda, turismo, cultura, esporte, lazer, meio ambiente...e ainda dos alagamentos da cidade.
O mal do malandro de gravata é acreditar que o cidadão de camiseta é Mané".
Fechando o parenteses e concluindo em cima desses "assim como": o chamado Novo Espírito Santo não chegou ao povo capixaba, ficou centrado nas elites empresariais.
E no mais, é como disse o Mauro Petersem Domingues:
Eu entendo que muitos dos defeitos que estão sendo apontados agora como sendo do atual governo do Espírito Santo, de Renato Casagrande são, de fato, herdados de governos anteriores.
Mas o grande defeito do governo Casagrande é ignorar a necessidade de romper com as práticas anteriores e fundar uma nova forma de fazer política no ES. Então, já que resolveu perpetuar as práticas do passado, merece as críticas que lhe estão sendo dirigidas.
E, nessa, desgasta-se o atual governo e preserva-se a imagem do anterior, criando condições para que a fonte dos problemas fique mascarada sob um debate em torno de gestores mais ou menos competentes.
O estado do Espírito Santo precisa de governantes que se voltem para as necessidades de seu povo, e não apenas para as do capital e seus interesses".
(Nota de rodapé I) nesse registro que nessas situações de "toque de recolher" nas comunidades por ação do tráfico, sob ordens de presos que estão em presídios de segurança máxima é nessário aprofundar essa história de "facilitadores" no acesso a celulares e telefones fixos.
Para lembrar, a história sempre acaba em cima de "lambaris" e "bagrinhos", ou seja, a culpa sempre recai sobre um agente ou funcionário menor. E se os presos tivessem acesso a telefones por permissão de autoridades superiores do sistema? E se, por exemplo, o acesso fosse uma forma de assegurar a "tranquilidade" nos presídios?
O secretário Henrique Geaquinto Herkenhoff está chegando agora, será que já pensou nisso?
(Nota de rodapé II) ainda nesse domingo, a coluna Plenário registrou que o Deputado Gilsinho Lopes é um dos principais críticos a atual política de segurança. Considerando que o deputado é um dos representantes daquilo que se convencionou chamar de "velha Assembléia", eis aí um bom motivo para o apoio a ação e desempenho do Secretário Herkenhoff.
Observação: esse "artigo" é a sistematização de pequenas notas postadas no meu facebook e comentários de amigos.
A ausência de crítica sobre as políticas sociais, especialmente da política de segurança pública, levava a pensar que a imprensa local cumpria um período de "silencio obsequioso", só quebrado porque Élio Gaspari chutou o pau da barraca e trouxe ao conhecimento da opinião pública nacional e capixaba o que denominou de "Masmorras capixabas". Eu acho que Henrique Geaquinto Herkenhoff lembra.
É engraçado que durante o mandarinato de Rodey Miranda a frente da Secretaria de Segurança Pública/ES, quando os índices negativos explodiram e colocaram o ES nos primeiros lugares do ranking da violencia no Brasil, não se faziam críticas sistemáticas ao desempenho do então Secretário nem se registravam as possíveis insatisfações no meio policial quanto a condução da política de segurança.
Álias, como registra o Gustavo Varella no twitter, "Ficam culpando o Henrique Geaquinto Herkenhoff e o Casagrande pela violência no ES! As polícias foram sucateadas e desrespeitadas durante 8 anos.." Traduzindo: se hoje chegamos ao ponto a que chegamos é porque tivemos uma política, enquanto política de Governo, escolha e definição de prioridades governamentais, que levou ao sucateamento do aparelho de segurança do estado. Assim como na educação, assim como na saúde, assim como nos Direitos Humanos Es (não esquecer que estamos até hoje na Corte da OEA).
Ou então, abrindo um parenteses para o pertinente comentário de Cláudio mendonça, com direito a sobrevôo na política de Vila Velha:
"Tem político que só pode está brincando com a população. Uma pessoa que teve em suas mãos o comando das polícias civil e militar e mesmo assim não conseguiu apresentar nenhum projeto decente para reduzir a criminalidade no ES, pior, viu os índices de violência subirem como nunca antes na história do estado. Comandou esquema de grampo telefônico na maior instituição de comunicação do ES, saiu culpando a polícia militar pelos problemas da segurança pública (quem comandava a polícia militar na época era o próprio acusador).
Agora apregoa que quer ser prefeito de Vila Velha para combater a violência. Não deu conta quando era o chefe da segurança pública no estado e só tinha isto para pensar, imaginem se vai dar conta de trabalhar contra a violência sem comandar polícia e ainda tendo que cuidar da saúde, educação, transporte, assistência social, desenvolvimento econômico, cidadania, geração de trabalho e renda, turismo, cultura, esporte, lazer, meio ambiente...e ainda dos alagamentos da cidade.
O mal do malandro de gravata é acreditar que o cidadão de camiseta é Mané".
Fechando o parenteses e concluindo em cima desses "assim como": o chamado Novo Espírito Santo não chegou ao povo capixaba, ficou centrado nas elites empresariais.
E no mais, é como disse o Mauro Petersem Domingues:
Eu entendo que muitos dos defeitos que estão sendo apontados agora como sendo do atual governo do Espírito Santo, de Renato Casagrande são, de fato, herdados de governos anteriores.
Mas o grande defeito do governo Casagrande é ignorar a necessidade de romper com as práticas anteriores e fundar uma nova forma de fazer política no ES. Então, já que resolveu perpetuar as práticas do passado, merece as críticas que lhe estão sendo dirigidas.
E, nessa, desgasta-se o atual governo e preserva-se a imagem do anterior, criando condições para que a fonte dos problemas fique mascarada sob um debate em torno de gestores mais ou menos competentes.
O estado do Espírito Santo precisa de governantes que se voltem para as necessidades de seu povo, e não apenas para as do capital e seus interesses".
(Nota de rodapé I) nesse registro que nessas situações de "toque de recolher" nas comunidades por ação do tráfico, sob ordens de presos que estão em presídios de segurança máxima é nessário aprofundar essa história de "facilitadores" no acesso a celulares e telefones fixos.
Para lembrar, a história sempre acaba em cima de "lambaris" e "bagrinhos", ou seja, a culpa sempre recai sobre um agente ou funcionário menor. E se os presos tivessem acesso a telefones por permissão de autoridades superiores do sistema? E se, por exemplo, o acesso fosse uma forma de assegurar a "tranquilidade" nos presídios?
O secretário Henrique Geaquinto Herkenhoff está chegando agora, será que já pensou nisso?
(Nota de rodapé II) ainda nesse domingo, a coluna Plenário registrou que o Deputado Gilsinho Lopes é um dos principais críticos a atual política de segurança. Considerando que o deputado é um dos representantes daquilo que se convencionou chamar de "velha Assembléia", eis aí um bom motivo para o apoio a ação e desempenho do Secretário Herkenhoff.
Observação: esse "artigo" é a sistematização de pequenas notas postadas no meu facebook e comentários de amigos.
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