Sabem todos que Dilma Rousseff deve sua eleição a Lula da Silva e às engrenagens do poder descomunal da “máquina” federal, que ele usou de fio a pavio, como nunca fora utilizada. Ela própria é a primeira a reconhecê-lo. Engana-se, porém, quem pense que Dilma venha a ser na Presidência da República apenas um boneco de ventríloquo que fale e aja pela boca e mãos do mago maior. Ou um papagaio repetindo as palavras do capataz à peonada na roda de chimarrão.
Inteligente e sagaz, Lula ocupou sempre todos os espaços, mas – no fundo – sua grande preocupação existencial foi o futebol e o Corinthians, até na vida sindical. Também Dilma foi sempre protagonista, mas criativa e com visão própria. Mocinha ainda, na luta armada contra a ditadura forjou seu primeiro ato político concreto. Em junho de 2005, levada à chefia da Casa Civil no bojo da crise que encurralava o presidente, lembrei que ela integrava a geração que se preparou para o poder nos clássicos da sociologia e da economia, tendo O Capital, de Marx, como ponto de partida – mas não dogma de chegada – para desvendar a sociedade.
Vindo da esquerda, conviveu com a direita e, ao final dos oito anos de Lula da Silva, era das poucas figuras no governo em condições de disputar uma eleição sem a pecha de escândalos.
Não analiso, aqui, por que a corrupção seguiu nem por que Erenice Guerra (seu braço forte em Brasília) foi foco de subornos milionários. O tempo pós-eleitoral é outro e indago como a presidente Dilma, criativa e tenaz, comandará o ministério medíocre formado pelas pressões da politicalha interesseira?
No início do governo Lula, as credenciais de Dilma no secretariado gaúcho, anos antes, a levaram ao Ministério de Minas e Energia. Fôramos o único Estado sem racionamento de eletricidade nos apagões de 2001. Ela escolhera as pessoas certas, encabeçadas pelo então diretor de operações da CEEE, Valter Cardeal de Souza, e a eletricidade foi o fio que a levou aonde está.
Agora, a maioria dos 37 ministros não tem vínculos com a função. A estratégica Secretaria de Portos, por exemplo, foi dada aos irmãos Cid e Ciro Gomes, do Ceará, que nela emplacaram o conterrâneo Leônidas Cristino, prefeito do Crato, a 200 quilômetros do mar, no sertão semiárido. Lá não há porto e as águas do Rio Acaraú permitem apenas um amarradouro de barcos de madeira. O Ministério da Pesca ficou com a catarinense Ideli Salvatti, senadora loquaz mas que nunca pescou sequer um lambari. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, foi denunciado pela promotoria pública de Minas, dias atrás, por fraudes e desvios de verbas quando prefeito de Belo Horizonte. O de Turismo, Pedro Novais, quando deputado em 2009, debitou despesas num motel em Brasília na conta da Câmara Federal. O Ministério dos Transportes ficou (de novo) com Alfredo Nascimento, do Amazonas, onde não há estradas nem ferrovias.
O ministro dos Esportes, Orlando Silva, do PC do B, continua, apesar das denúncias do Tribunal de Contas pelo desvio de milhões de reais nos Jogos Pan-Americanos. Não se sabe por que Carlos Lupi foi ministro do Trabalho nem por que continua. Também continua Fernando Haddad, correto, mas que só soube de Educação quando chegou ao ministério de mesmo nome.
Até nomes exponenciais (como Aloizio Mercadante, na Ciência e Tecnologia) estão fora de lugar. Sem falar de Antonio Palocci, que saiu às pressas do governo Lula no escândalo do jardineiro da casa de “garotas de programa” em Brasília, e volta como figura-chave. Como foi Dilma no tempo de Lula.
O dia “D”, de Dilma, recém começa como data decisiva.
*Jornalista e escritor (um dos 15 prisioneiros políticos(José Dirceu, Wladimir Palmeira, Luis Travassos, entre outros)libertados quando do sequestro do Embaixador americano Charles Elbrick)
Fonte:ZERO HORA (RS)
domingo, 2 de janeiro de 2011
Intelectuais e poder (Roberto Romano)
Quem se importa, hoje, com indivíduos e grupos "intelectuais"? No pretérito, escritores, filósofos ou cientistas eram combatidos, aceitos ou silenciados pelos regimes políticos, igrejas, patrões ou operários. É imenso o rol dos pensadores, de Erasmo a Bertrand Russell, envolvidos em problemas humanos candentes. No século 20, manifestos assinados por acadêmicos valiam programas políticos e competiam com encíclicas. Daí a estranheza escandalizada quando os "grandes nomes" silenciavam em situações de injustiça, como nas tiranias de esquerda ou direita.
O totalitarismo domou intelectuais famosos e fez do seu discurso propaganda ou hipocrisia. O realismo enfraquece a mente mais brilhante, nela obnubila o sentido ético e moral. No Brasil, O Pasquim criou o slogan exato para quem seguiu a ditadura: "Eu preciso sobreviver, entende?" O periódico espelha a reflexão de Elias Canetti em Massa e Poder. O Prêmio Nobel comenta a conivência entre autores e governo. O poderoso e seus áulicos preferem guardar a própria vida, em detrimento dos outros seres humanos. Para eles não existem família, amizade, partido ou formas religiosas, tudo o que fazem tem por alvo alongar a sua permanência na ordem pública, vampirizando todos ao seu redor.
Certeira analogia é feita por Canetti entre poderosos e intelectuais maníacos da glória. Para eles, as demais criaturas "não têm outra razão de viver senão a de pronunciar um nome muito determinado (...). As diferenças entre o rico, o detentor do poder e o famoso podem ser resumidas mais ou menos assim: o rico coleciona montes e rebanhos. No lugar destas coisas está o dinheiro. Os homens não lhe interessam; para ele é suficiente o fato de poder comprá-los. O detentor do poder coleciona homens. Os montes e os rebanhos nada significam para ele, a não ser que necessite deles para a aquisição de homens. Mas ele deseja homens que vivam, para arrastá-los ou para levá-los consigo à morte. (...) O famoso coleciona coros. Destes quer escutar apenas o seu nome. Eles podem estar mortos ou vivos, ou podem nem ter nascido ainda; tudo isto lhe é indiferente. Basta que sejam numerosos e tenham sido exercitados em repetir seu nome".
O poderoso que busca a sobrevida e o intelectual sedento de fama podem empreender boas e belas coisas: surgem os estadistas e os escritores imortais, que, segundo Canetti, alimentam a humanidade. A maioria dos governantes e acadêmicos, no entanto, é bem representada por líderes como Vargas e Sarney (ambos da Academia e, portanto, imortais...), beneficiários da censura imposta aos seres comuns.
Intelectuais do século 20 levantaram-se contra tiranias, mas também serviram aos poderosos, pouco importa a cor do príncipe, se parda ou rubra. "Não são aplausos que faltam aos intelectuais, mas sim votos aos partidos que eles apoiam (...). Uma coisa é formar o discurso político, outra é ter poder sobre a vida pública" (Gerard Lebrun, Quem Tem Medo dos Intelectuais?). Após a 2.ª Guerra, muitos intelectuais aceitaram viseiras (políticas, religiosas, econômicas), tentando colocar idênticos tampões na opinião pública. Imaginar "bons" escritores em luta contra "bandidos" (na direita ou na esquerda) é lenda que impede entender o reino animal do espírito, nome dado por Hegel à "comunidade" dos cerebrinos.
No Brasil de agora, emudecem os que parolavam sobre ética e serviço ao povo.
As bases militantes acusam suas direções, escondendo de si mesmas o fato de que os dirigentes não agiriam com desenvoltura se tivessem recebido críticas... dos intelectuais. O "bom acadêmico" (como o bom selvagem) contenta-se com penduricalhos (uma assessoria ou cargo honorífico), mas recolhe as ordens dos superiores e as justifica para o público.
Boa parte dos universitários fica de joelhos e usa truques para não atacar a falsa República brasileira. Fingem não ler péssimas notícias, ignoram o privilégio de foro, os lobbies informais, os caixas 2, as pressões corruptas no Estado e na sociedade. Eles antes falavam demais porque, ainda citando Lebrun, "a crítica das instituições e dos privilégios sempre terá mais atrativo do que a banal apologia da ordem estabelecida". Seu vício anabolizante se encontrava na denúncia. Como não podem mais desmascarar, humilhar, destruir inimigos de seus partidos e devem preservar, blindar, adular a própria grei, eles se ocultam no tíbio silêncio. Se os abusos dos três Poderes são gritantes, o dever manda apontar ao público o que se passa nos gabinetes, mesmo à custa de processos judiciais, prisões, exílios, solidão. Quando Voltaire denunciou o caso Calas, não recebeu apoio da sociedade. Ao escrever o tremendo Eu Acuso, Zola não se tornou popular. No tribunal sobre o Vietnã, Sartre e Bertrand Russell recolheram apupos.
Os intelectuais arvoravam mentirosa independência política. Hoje, o seu máximo empenho é assinar listas de apoio eleitoral ou em defesa própria.
Muitos deles passaram oito anos criticando à socapa o governo Lula e, na bacia das almas, assinaram manifestos em favor de sua candidata. Na outra margem, muitos se acomodaram, deixando o candidato oposicionista à deriva.
Eles precisam sobreviver, entende? Bolsas de estudos, recursos de pesquisa, publicação de livros e artigos justificam as zumbaias dos famosos (outros nem tanto) dirigidas aos governantes. Seguir exércitos fortes, no Brasil, traz popularidade, verbas e verbo. É o tempo das vivandeiras, agora no reino do espírito. Os "intelectuais orgânicos", no Brasil e no mundo, mostram para que servem: universalizam slogans em favor dos palácios. Eles são apenas a caricatura piorada de Glauco e Trasímaco.
Filósofo, professor de Ética e Filosofia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Fonte:O ESTADO DE S. PAULO
.
O totalitarismo domou intelectuais famosos e fez do seu discurso propaganda ou hipocrisia. O realismo enfraquece a mente mais brilhante, nela obnubila o sentido ético e moral. No Brasil, O Pasquim criou o slogan exato para quem seguiu a ditadura: "Eu preciso sobreviver, entende?" O periódico espelha a reflexão de Elias Canetti em Massa e Poder. O Prêmio Nobel comenta a conivência entre autores e governo. O poderoso e seus áulicos preferem guardar a própria vida, em detrimento dos outros seres humanos. Para eles não existem família, amizade, partido ou formas religiosas, tudo o que fazem tem por alvo alongar a sua permanência na ordem pública, vampirizando todos ao seu redor.
Certeira analogia é feita por Canetti entre poderosos e intelectuais maníacos da glória. Para eles, as demais criaturas "não têm outra razão de viver senão a de pronunciar um nome muito determinado (...). As diferenças entre o rico, o detentor do poder e o famoso podem ser resumidas mais ou menos assim: o rico coleciona montes e rebanhos. No lugar destas coisas está o dinheiro. Os homens não lhe interessam; para ele é suficiente o fato de poder comprá-los. O detentor do poder coleciona homens. Os montes e os rebanhos nada significam para ele, a não ser que necessite deles para a aquisição de homens. Mas ele deseja homens que vivam, para arrastá-los ou para levá-los consigo à morte. (...) O famoso coleciona coros. Destes quer escutar apenas o seu nome. Eles podem estar mortos ou vivos, ou podem nem ter nascido ainda; tudo isto lhe é indiferente. Basta que sejam numerosos e tenham sido exercitados em repetir seu nome".
O poderoso que busca a sobrevida e o intelectual sedento de fama podem empreender boas e belas coisas: surgem os estadistas e os escritores imortais, que, segundo Canetti, alimentam a humanidade. A maioria dos governantes e acadêmicos, no entanto, é bem representada por líderes como Vargas e Sarney (ambos da Academia e, portanto, imortais...), beneficiários da censura imposta aos seres comuns.
Intelectuais do século 20 levantaram-se contra tiranias, mas também serviram aos poderosos, pouco importa a cor do príncipe, se parda ou rubra. "Não são aplausos que faltam aos intelectuais, mas sim votos aos partidos que eles apoiam (...). Uma coisa é formar o discurso político, outra é ter poder sobre a vida pública" (Gerard Lebrun, Quem Tem Medo dos Intelectuais?). Após a 2.ª Guerra, muitos intelectuais aceitaram viseiras (políticas, religiosas, econômicas), tentando colocar idênticos tampões na opinião pública. Imaginar "bons" escritores em luta contra "bandidos" (na direita ou na esquerda) é lenda que impede entender o reino animal do espírito, nome dado por Hegel à "comunidade" dos cerebrinos.
No Brasil de agora, emudecem os que parolavam sobre ética e serviço ao povo.
As bases militantes acusam suas direções, escondendo de si mesmas o fato de que os dirigentes não agiriam com desenvoltura se tivessem recebido críticas... dos intelectuais. O "bom acadêmico" (como o bom selvagem) contenta-se com penduricalhos (uma assessoria ou cargo honorífico), mas recolhe as ordens dos superiores e as justifica para o público.
Boa parte dos universitários fica de joelhos e usa truques para não atacar a falsa República brasileira. Fingem não ler péssimas notícias, ignoram o privilégio de foro, os lobbies informais, os caixas 2, as pressões corruptas no Estado e na sociedade. Eles antes falavam demais porque, ainda citando Lebrun, "a crítica das instituições e dos privilégios sempre terá mais atrativo do que a banal apologia da ordem estabelecida". Seu vício anabolizante se encontrava na denúncia. Como não podem mais desmascarar, humilhar, destruir inimigos de seus partidos e devem preservar, blindar, adular a própria grei, eles se ocultam no tíbio silêncio. Se os abusos dos três Poderes são gritantes, o dever manda apontar ao público o que se passa nos gabinetes, mesmo à custa de processos judiciais, prisões, exílios, solidão. Quando Voltaire denunciou o caso Calas, não recebeu apoio da sociedade. Ao escrever o tremendo Eu Acuso, Zola não se tornou popular. No tribunal sobre o Vietnã, Sartre e Bertrand Russell recolheram apupos.
Os intelectuais arvoravam mentirosa independência política. Hoje, o seu máximo empenho é assinar listas de apoio eleitoral ou em defesa própria.
Muitos deles passaram oito anos criticando à socapa o governo Lula e, na bacia das almas, assinaram manifestos em favor de sua candidata. Na outra margem, muitos se acomodaram, deixando o candidato oposicionista à deriva.
Eles precisam sobreviver, entende? Bolsas de estudos, recursos de pesquisa, publicação de livros e artigos justificam as zumbaias dos famosos (outros nem tanto) dirigidas aos governantes. Seguir exércitos fortes, no Brasil, traz popularidade, verbas e verbo. É o tempo das vivandeiras, agora no reino do espírito. Os "intelectuais orgânicos", no Brasil e no mundo, mostram para que servem: universalizam slogans em favor dos palácios. Eles são apenas a caricatura piorada de Glauco e Trasímaco.
Filósofo, professor de Ética e Filosofia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Fonte:O ESTADO DE S. PAULO
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sábado, 1 de janeiro de 2011
O enigma Dilma (Everardo Maciel)
No curso da história brasileira, poucas pessoas chegaram à Presidência da República com tão escassas informações sobre suas habilidades políticas e administrativas quanto Dilma Roussef. Como reagirá a nova Presidente ante as inevitáveis crises? Terá estilo próprio ou será tutelada pelo Presidente Lula? Nada se sabe.
Ressalvada a cota pessoal da Presidente, a escolha dos 37 ministros pautou-se conforme os caóticos ritos do nosso curioso presidencialismo. Resultou de meras indicações de partidos e facções partidárias, eventualmente de governadores, sem o mais remoto sinal de orientação programática. Nesse cenário sobressaiu-se um inédito crivo do Presidente que sai. Coordenar essa equipe não será tarefa fácil.
No contexto das boas escolhas, algumas merecem destaque: o Ministro Antônio Palocci, Alexandre Tombini, Presidente do Banco Central, e Carlos Alberto Barreto, Secretário da Receita Federal.
Palocci é a garantia de bom senso, conhecimento e experiência. Será um filtro contra ideias mirabolantes. Exercerá sua missão com equilíbrio e realismo. Em relação à reforma tributária, por exemplo, certamente irá desestimular proposições grandiloquentes, preferindo abonar propostas pragmáticas.
Tombini é um técnico preparado e probo. Terá a dificílima tarefa de encontrar uma saída para a armadilha do câmbio, que está comprometendo gravemente nossas exportações e gerando um sério processo de desindustrialização.
Barreto, com as mesmas qualidades de Tombini, terá a missão de resgatar a credibilidade da Receita, abalada em virtude dos vazamentos de informações sigilosas, e de superar o clima de conflagração entre as categorias profissionais daquele órgão. Precisa, também, resgatar a capacidade de formular políticas fiscais pela própria Receita, indevidamente subtraída após a gestão do Secretário Jorge Rachid. Sem essas iniciativas, será quase muito difícil assegurar crescente melhoria na qualidade da administração tributária.
No campo das políticas públicas, a Presidente Dilma defrontar-se-á com um alentado cardápio de problemas. É verdade que nos últimos oito anos o País cresceu, houve redução do desemprego e melhorou a distribuição de renda. Esse desempenho foi fruto da boa herança do governo Fernando Henrique, das excepcionais condições da economia internacional e da disposição do Presidente Lula de preservar aquela herança e ousar nos programas sociais.
As circunstâncias tanto quanto os resultados, portanto, foram excepcionais. É ilusório, todavia, pensar que desenvolvimento fundado apenas em consumo, expansão de crédito e transferências de renda possa ser duradouro. É modelo eleitoralmente produtivo, mas economicamente débil. Sua vulnerabilidade é de tal ordem que "marolinhas", no cenário internacional, podem simplesmente reduzi-lo a pó, com dramáticas consequências sociais, conforme evidenciam as sucessivas crises econômicas contemporâneas.
Eventuais ganhos decorrentes da exploração do pré-sal, se bem orientados, podem significar um grande passo em direção a um novo patamar de desenvolvimento. É imperioso prosseguir no esforço para reunir condições tecnológicas e financeiras para dar curso à exploração. Não esqueçamos, entretanto, que tudo isso, por ora, é mera expectativa.
O governo Lula não se animou a fazer reformas que implicassem custo político. Nosso modelo previdenciário é inviável a longo prazo; a legislação trabalhista é fator impeditivo de superação da informalidade; o sistema orçamentário é uma pantomima que nada planeja ou controla; a política de pessoal da administração pública apenas não existe; a gestão da saúde e educação públicas caminha para falência. O Estado precisa de uma reforma profunda.
Qualquer pretensão de desenvolvimento consistente a longo prazo requer uma política educacional que não se satisfaça com estatísticas descomprometidas com a lamentável qualidade do nosso ensino. Da mesma forma, a sucateada infraestrutura de estradas, portos e aeroportos será sempre uma limitação na persecução de taxas mais ambiciosas de crescimento econômico.
No Brasil, lamentavelmente foi conferida prioridade à expansão dos gastos correntes em desfavor dos investimentos, o que vai exigir indigestos programas de austeridade fiscal, sob pena de ficarmos reféns do dilema juros altos ou inflação.
Pessoas que conhecem, de perto e de longa data, a nova Presidente asseguram que não será o nono ano do governo Lula, mas o primeiro do governo Dilma. Seja qual o for o significado dessa expressão, a verdade é que o enigma Dilma só será decifrado por ela própria. Esperamos que seja um bom governo.
Ressalvada a cota pessoal da Presidente, a escolha dos 37 ministros pautou-se conforme os caóticos ritos do nosso curioso presidencialismo. Resultou de meras indicações de partidos e facções partidárias, eventualmente de governadores, sem o mais remoto sinal de orientação programática. Nesse cenário sobressaiu-se um inédito crivo do Presidente que sai. Coordenar essa equipe não será tarefa fácil.
No contexto das boas escolhas, algumas merecem destaque: o Ministro Antônio Palocci, Alexandre Tombini, Presidente do Banco Central, e Carlos Alberto Barreto, Secretário da Receita Federal.
Palocci é a garantia de bom senso, conhecimento e experiência. Será um filtro contra ideias mirabolantes. Exercerá sua missão com equilíbrio e realismo. Em relação à reforma tributária, por exemplo, certamente irá desestimular proposições grandiloquentes, preferindo abonar propostas pragmáticas.
Tombini é um técnico preparado e probo. Terá a dificílima tarefa de encontrar uma saída para a armadilha do câmbio, que está comprometendo gravemente nossas exportações e gerando um sério processo de desindustrialização.
Barreto, com as mesmas qualidades de Tombini, terá a missão de resgatar a credibilidade da Receita, abalada em virtude dos vazamentos de informações sigilosas, e de superar o clima de conflagração entre as categorias profissionais daquele órgão. Precisa, também, resgatar a capacidade de formular políticas fiscais pela própria Receita, indevidamente subtraída após a gestão do Secretário Jorge Rachid. Sem essas iniciativas, será quase muito difícil assegurar crescente melhoria na qualidade da administração tributária.
No campo das políticas públicas, a Presidente Dilma defrontar-se-á com um alentado cardápio de problemas. É verdade que nos últimos oito anos o País cresceu, houve redução do desemprego e melhorou a distribuição de renda. Esse desempenho foi fruto da boa herança do governo Fernando Henrique, das excepcionais condições da economia internacional e da disposição do Presidente Lula de preservar aquela herança e ousar nos programas sociais.
As circunstâncias tanto quanto os resultados, portanto, foram excepcionais. É ilusório, todavia, pensar que desenvolvimento fundado apenas em consumo, expansão de crédito e transferências de renda possa ser duradouro. É modelo eleitoralmente produtivo, mas economicamente débil. Sua vulnerabilidade é de tal ordem que "marolinhas", no cenário internacional, podem simplesmente reduzi-lo a pó, com dramáticas consequências sociais, conforme evidenciam as sucessivas crises econômicas contemporâneas.
Eventuais ganhos decorrentes da exploração do pré-sal, se bem orientados, podem significar um grande passo em direção a um novo patamar de desenvolvimento. É imperioso prosseguir no esforço para reunir condições tecnológicas e financeiras para dar curso à exploração. Não esqueçamos, entretanto, que tudo isso, por ora, é mera expectativa.
O governo Lula não se animou a fazer reformas que implicassem custo político. Nosso modelo previdenciário é inviável a longo prazo; a legislação trabalhista é fator impeditivo de superação da informalidade; o sistema orçamentário é uma pantomima que nada planeja ou controla; a política de pessoal da administração pública apenas não existe; a gestão da saúde e educação públicas caminha para falência. O Estado precisa de uma reforma profunda.
Qualquer pretensão de desenvolvimento consistente a longo prazo requer uma política educacional que não se satisfaça com estatísticas descomprometidas com a lamentável qualidade do nosso ensino. Da mesma forma, a sucateada infraestrutura de estradas, portos e aeroportos será sempre uma limitação na persecução de taxas mais ambiciosas de crescimento econômico.
No Brasil, lamentavelmente foi conferida prioridade à expansão dos gastos correntes em desfavor dos investimentos, o que vai exigir indigestos programas de austeridade fiscal, sob pena de ficarmos reféns do dilema juros altos ou inflação.
Pessoas que conhecem, de perto e de longa data, a nova Presidente asseguram que não será o nono ano do governo Lula, mas o primeiro do governo Dilma. Seja qual o for o significado dessa expressão, a verdade é que o enigma Dilma só será decifrado por ela própria. Esperamos que seja um bom governo.
As marcas da Era Lula (Ruy Fabiano)
O fim de 2010 coincide com o fim do governo Lula, mas não necessariamente da Era Lula. O ainda presidente – pelo menos até o final do dia de hoje – pretende ter inaugurado uma nova fase na história do Brasil. Ou por outra, o próprio Brasil.
Segundo ele, em inumeráveis pronunciamentos, o país, até sua eleição, teria sido mero arremedo de nação, sob o domínio de elites perversas. Daí o bordão do “nunca antes neste país”. De fato, Lula estabeleceu alguns padrões sem precedentes na liturgia presidencial, mesmo quando ocupada por governos visceralmente populistas.
Um deles foi exatamente o de achar que, antes dele, ninguém fez nada que prestasse. Anteontem, viu seu nome dado a uma reserva de petróleo, a de Tupi, casualmente a maior do país, pelo presidente da Petrobrás, José Gabrielli, cuja permanência no cargo anunciou, para um governo que já não será o seu. Ou será?
Não é difícil imaginar o que faria o PT se o presidente da Petrobrás do governo FHC – ou de qualquer outro - cometesse tal descalabro, que infringe o artigo 37 da Constituição, que determina a impessoalidade de programas e obras públicas, sem menção a nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal.
Em meio a tantas heterodoxias, Lula celebrou a permanência da crise econômica em países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas plenas, cordiais e históricas. Não se conhece nenhum precedente, recente ou remoto, aqui ou em qualquer parte, de gesto equivalente. Considerou “gostoso” contemplar as dificuldades alheias, citando as dos Estados Unidos, União Europeia e Japão. Nada menos.
Qualquer outro que emitisse tais opiniões provocaria no mínimo um forte constrangimento diplomático. Lula, porém, obteve uma espécie de licença política para dizer o que quiser, sem quaisquer consequências. Tal licença, porém, não decorre de um prestígio adquirido, mas, inversamente, de um descrédito. Ninguém se importa com esses excessos, já que, repetitivos, não significam nada.
Lula diz uma coisa e seu contrário, às vezes no mesmo discurso. Já disse que ensinaria a FHC o papel adequado a um ex-presidente, que seria o de ficar calado e de só abrir a boca quando solicitado. E que, quando deixasse o cargo, botaria um bermudão e iria tomar cerveja com os amigos em São Bernardo.
Nos últimos dias, tem dito exatamente o oposto: que o país “não vai se livrar” dele, que continuará a viajar pelos estados, dizendo a Dilma o que é preciso fazer. Prometeu lutar pela reforma política (sem explicar por que não o fez em oito anos) e que irá desfazer a “farsa” do mensalão, tarefa que, ao que se sabe, cabe ao Supremo Tribunal Federal.
Já chegou mesmo a dizer que nunca foi de esquerda, que sempre foi torneiro-mecânico. Em 2006, ao receber um prêmio de uma revista, disse: "Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problemas", o que não o impediu de homenagear o centenário de Oscar Niemeyer.
Explicou que a maturidade o fez deixar de ser de esquerda. Já na campanha de 2010, considerou um avanço o fato de todos os candidatos à Presidência serem de esquerda. Qual o Lula autêntico? É esse mesmo, cujo perfil as circunstâncias (não ele) determinam.
O certo é que nenhum presidente falou tanto. É improvável que tenha havido um só dia dos seus dois mandatos em que não tenha feito discursos ou declarações que o mantivessem nos telejornais. Essa onipresença se, de um lado, contribuiu para sua popularidade, de outro enfraqueceu sua palavra.
Os chefes de Estado habitualmente se manifestam em situações relevantes. Para o varejo, dispõem dos ministros e do porta-voz, cargo, aliás, dos mais secundários na Era Lula. Que o diga Marcelo Baumbach, seu titular, que fez sua estreia e (que me lembre) única aparição nos telejornais por ocasião da demissão de Erenice Guerra da chefia da Casa Civil.
Além do extravagante papel que desempenhou na campanha eleitoral, que antecipou em dois anos, infringindo a lei, Lula pediu ao eleitorado a cabeça de adversários e a extirpação de um partido político, o DEM. Nesse caso específico, fez o pedido em Santa Catarina, que não o atendeu, pois elegeu, em primeiro turno, um governador do DEM, Raimundo Colombo.
Discute-se se existe de fato uma Era Lula, o que pressupõe continuidade não apenas administrativa (já que, desse ponto de vista, estaríamos ainda na Era FHC), mas de estilo e de práticas. Quanto ao estilo, é intransferível. Lula é único e Dilma seu antípoda. Quanto à prática, PT e PMDB não dão sinais de novidade.
Ruy Fabiano é jornalista
Segundo ele, em inumeráveis pronunciamentos, o país, até sua eleição, teria sido mero arremedo de nação, sob o domínio de elites perversas. Daí o bordão do “nunca antes neste país”. De fato, Lula estabeleceu alguns padrões sem precedentes na liturgia presidencial, mesmo quando ocupada por governos visceralmente populistas.
Um deles foi exatamente o de achar que, antes dele, ninguém fez nada que prestasse. Anteontem, viu seu nome dado a uma reserva de petróleo, a de Tupi, casualmente a maior do país, pelo presidente da Petrobrás, José Gabrielli, cuja permanência no cargo anunciou, para um governo que já não será o seu. Ou será?
Não é difícil imaginar o que faria o PT se o presidente da Petrobrás do governo FHC – ou de qualquer outro - cometesse tal descalabro, que infringe o artigo 37 da Constituição, que determina a impessoalidade de programas e obras públicas, sem menção a nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal.
Em meio a tantas heterodoxias, Lula celebrou a permanência da crise econômica em países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas plenas, cordiais e históricas. Não se conhece nenhum precedente, recente ou remoto, aqui ou em qualquer parte, de gesto equivalente. Considerou “gostoso” contemplar as dificuldades alheias, citando as dos Estados Unidos, União Europeia e Japão. Nada menos.
Qualquer outro que emitisse tais opiniões provocaria no mínimo um forte constrangimento diplomático. Lula, porém, obteve uma espécie de licença política para dizer o que quiser, sem quaisquer consequências. Tal licença, porém, não decorre de um prestígio adquirido, mas, inversamente, de um descrédito. Ninguém se importa com esses excessos, já que, repetitivos, não significam nada.
Lula diz uma coisa e seu contrário, às vezes no mesmo discurso. Já disse que ensinaria a FHC o papel adequado a um ex-presidente, que seria o de ficar calado e de só abrir a boca quando solicitado. E que, quando deixasse o cargo, botaria um bermudão e iria tomar cerveja com os amigos em São Bernardo.
Nos últimos dias, tem dito exatamente o oposto: que o país “não vai se livrar” dele, que continuará a viajar pelos estados, dizendo a Dilma o que é preciso fazer. Prometeu lutar pela reforma política (sem explicar por que não o fez em oito anos) e que irá desfazer a “farsa” do mensalão, tarefa que, ao que se sabe, cabe ao Supremo Tribunal Federal.
Já chegou mesmo a dizer que nunca foi de esquerda, que sempre foi torneiro-mecânico. Em 2006, ao receber um prêmio de uma revista, disse: "Se você conhece uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque está com problemas", o que não o impediu de homenagear o centenário de Oscar Niemeyer.
Explicou que a maturidade o fez deixar de ser de esquerda. Já na campanha de 2010, considerou um avanço o fato de todos os candidatos à Presidência serem de esquerda. Qual o Lula autêntico? É esse mesmo, cujo perfil as circunstâncias (não ele) determinam.
O certo é que nenhum presidente falou tanto. É improvável que tenha havido um só dia dos seus dois mandatos em que não tenha feito discursos ou declarações que o mantivessem nos telejornais. Essa onipresença se, de um lado, contribuiu para sua popularidade, de outro enfraqueceu sua palavra.
Os chefes de Estado habitualmente se manifestam em situações relevantes. Para o varejo, dispõem dos ministros e do porta-voz, cargo, aliás, dos mais secundários na Era Lula. Que o diga Marcelo Baumbach, seu titular, que fez sua estreia e (que me lembre) única aparição nos telejornais por ocasião da demissão de Erenice Guerra da chefia da Casa Civil.
Além do extravagante papel que desempenhou na campanha eleitoral, que antecipou em dois anos, infringindo a lei, Lula pediu ao eleitorado a cabeça de adversários e a extirpação de um partido político, o DEM. Nesse caso específico, fez o pedido em Santa Catarina, que não o atendeu, pois elegeu, em primeiro turno, um governador do DEM, Raimundo Colombo.
Discute-se se existe de fato uma Era Lula, o que pressupõe continuidade não apenas administrativa (já que, desse ponto de vista, estaríamos ainda na Era FHC), mas de estilo e de práticas. Quanto ao estilo, é intransferível. Lula é único e Dilma seu antípoda. Quanto à prática, PT e PMDB não dão sinais de novidade.
Ruy Fabiano é jornalista
Freudiana despedida de Lula (Vitor Hugo Soares)
Observo os derradeiros passos e descompassos do presidente da República na semana de sua despedida (?), com a atenção redobrada de veterano repórter e novo blogueiro baiano. Não é difícil constatar: Luis Inácio Lula da Silva oscila entre sentimentos opostos, que mexem profundamente com o “perfil psicológico freudiano” do ex-retirante da seca nordestina com tudo para dar errado na vida, mas que chegou ao posto mais alto de comando de seu País – como resumiu o analista de comportamento Jacob Pinheiro Goldberg na retrospectiva dos “anos Lula” da Radio Band News-FM.
De um lado, a eufórica felicidade do governante que sai nos braços do povo e pode exibir na partida, dentro de casa e ao mundo, boletins que lhes dão quase 90% de aprovação popular, a exemplo da mais recente pesquisa CNT/Sensos que ele brandia do alto do palanque oficial de seu adeus na capital baiana na última quarta-feira (29).
Em contraste, a mágoa profunda exposta na face, nos gestos e nos atos em meio aos festejos, pajelanças e rapapés destes últimos dias na viagem entre Recife e Salvador – e ontem também em Brasília. Nesse caso, o que se vê é um governante incomodado, a esmurrar o vento que sopra à sua frente. Lula não consegue engolir as críticas que pipocam na imprensa nas edições de balanço de seu governo. E reage com o que sabe fazer como ninguém: gerar polêmica e notícias em seu entorno.
Muito menos ele tolera ou silencia – como sugerem advogados do politicamente correto – quando as avaliações negativas partem de adversários políticos que o fustigam e lhe dão nos nervos. Em especial as que chegam pelas palavras ditas ou escritas por ex-ocupantes do posto cujo comando ele transmite neste sábado, primeiro dia de 2011, para a petista Dilma Rousseff – carregada no verbo e no muque até colocar no lugar que ele deixa vago a partir de hoje no Palácio do Planalto.
Pior ainda se as análises e comentários pouco gratificantes, quanto ao seu comportamento pessoal ou aos seus oito anos de administração, chegam pela boca ou pela escrita, com timbre e açoite de PHD acadêmico, do ex-amigo, ex-colega e atualmente um dos críticos mais incômodos do presidente que sai. “Aquele mesmo que dois anos antes de terminar o mandato presidencial, já não havia mais nenhum muro disponível no País onde a população tivesse espaço para escrever: “Fora não sei quem”, reagiu o presidente de partida, do alto do palanque oficial em Salvador, ao lado do governador petista reeleito, Jaques Wagner.
Era um ato de entrega de casas populares pelo governo federal, na passagem de despedida do presidente pela Bahia. Lula não citou nome nem sigla, mas todo mundo entendeu. E foi um dos momentos mais aplaudidos do discurso. Emoção à flor da pele e língua afiada, como sempre, Luís Inácio Lula da Silva, com os dados da pesquisa CNT/Sensus nas mãos, proclamava a boa notícia dos 87% de aprovação popular como um troféu de Copa do Mundo que acabasse de conquistar.
Mas, logo em seguida, ainda na Bahia, a mágoa pelas críticas aflora de novo e marca o rosto e os gestos do presidente. Revela-se outra vez o contraste de sentimentos que molda com perfeição o perfil do governante nestes dias de final de mando. E ele reage bem ao seu estilo, devolvendo as pedras que mais lhe incomodam o sapato.
“Foi um torneiro mecânico, pernambucano, presidente do Brasil, com a ajuda de sua equipe econômica, que soube lidar com a crise. Acrescentou: a passagem pelo Planalto lhe deu voz na cena internacional, enquanto chefes de Estado estrangeiros custavam para lidar com a crise econômica. Ainda assim, frisou, não deixou de receber todos os representantes da sociedade. “Nunca me chamaram de excelência”. E, da Bahia, arremessou mais um dardo na direção dos críticos na imprensa e adversários políticos: ”Deviam pedir desculpas”.
Ao traçar o perfil psicológico do presidente na retrospectiva da Band News, Jacob Goldberg destacou traços freudianos de Lula, o retirante nordestino pobre, filho de pai ausente “Self made man” típico, que absorveu o desejo de “ser pai de todo mundo” como um dos traços mais marcantes de sua personalidade. “Filho de família numerosa tinha só duas alternativas: se perder na mediocridade entre tantos irmãos, ou fazer de tudo para se destacar. Foi esta última a escolha salvadora de Lula”, explica o analista de comportamento paulista.
Ontem, em Brasília, o ato administrativo final foi emblemático deste perfil tão complexo e polêmico do presidente que passa o posto. Lula negou a extradição de Cesare Battisti, assegurando asilo no Brasil ao ex-ativista político italiano. O rastilho de críticas e ataques começou a se espalhar ontem mesmo na imprensa brasileira e italiana, sem falar nos adversários políticos e “juristas” de ocasião.
Cercado de ministros civis e militares, que disputavam com auxiliares comuns e familiares uma foto de despedida ao lado do presidente, no palácio do Planalto na manhã de ontem, Lula parecia o personagem da música ”Tô nem aí”. Seguramente convencido de ter assegurado, mesmo fora do governo, que ainda será o centro do debate, da polêmica e das notícias pelo menos durante este primeiro mês do governo Dilma.
A conferir.
Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitor-soares1@terra.com.br
De um lado, a eufórica felicidade do governante que sai nos braços do povo e pode exibir na partida, dentro de casa e ao mundo, boletins que lhes dão quase 90% de aprovação popular, a exemplo da mais recente pesquisa CNT/Sensos que ele brandia do alto do palanque oficial de seu adeus na capital baiana na última quarta-feira (29).
Em contraste, a mágoa profunda exposta na face, nos gestos e nos atos em meio aos festejos, pajelanças e rapapés destes últimos dias na viagem entre Recife e Salvador – e ontem também em Brasília. Nesse caso, o que se vê é um governante incomodado, a esmurrar o vento que sopra à sua frente. Lula não consegue engolir as críticas que pipocam na imprensa nas edições de balanço de seu governo. E reage com o que sabe fazer como ninguém: gerar polêmica e notícias em seu entorno.
Muito menos ele tolera ou silencia – como sugerem advogados do politicamente correto – quando as avaliações negativas partem de adversários políticos que o fustigam e lhe dão nos nervos. Em especial as que chegam pelas palavras ditas ou escritas por ex-ocupantes do posto cujo comando ele transmite neste sábado, primeiro dia de 2011, para a petista Dilma Rousseff – carregada no verbo e no muque até colocar no lugar que ele deixa vago a partir de hoje no Palácio do Planalto.
Pior ainda se as análises e comentários pouco gratificantes, quanto ao seu comportamento pessoal ou aos seus oito anos de administração, chegam pela boca ou pela escrita, com timbre e açoite de PHD acadêmico, do ex-amigo, ex-colega e atualmente um dos críticos mais incômodos do presidente que sai. “Aquele mesmo que dois anos antes de terminar o mandato presidencial, já não havia mais nenhum muro disponível no País onde a população tivesse espaço para escrever: “Fora não sei quem”, reagiu o presidente de partida, do alto do palanque oficial em Salvador, ao lado do governador petista reeleito, Jaques Wagner.
Era um ato de entrega de casas populares pelo governo federal, na passagem de despedida do presidente pela Bahia. Lula não citou nome nem sigla, mas todo mundo entendeu. E foi um dos momentos mais aplaudidos do discurso. Emoção à flor da pele e língua afiada, como sempre, Luís Inácio Lula da Silva, com os dados da pesquisa CNT/Sensus nas mãos, proclamava a boa notícia dos 87% de aprovação popular como um troféu de Copa do Mundo que acabasse de conquistar.
Mas, logo em seguida, ainda na Bahia, a mágoa pelas críticas aflora de novo e marca o rosto e os gestos do presidente. Revela-se outra vez o contraste de sentimentos que molda com perfeição o perfil do governante nestes dias de final de mando. E ele reage bem ao seu estilo, devolvendo as pedras que mais lhe incomodam o sapato.
“Foi um torneiro mecânico, pernambucano, presidente do Brasil, com a ajuda de sua equipe econômica, que soube lidar com a crise. Acrescentou: a passagem pelo Planalto lhe deu voz na cena internacional, enquanto chefes de Estado estrangeiros custavam para lidar com a crise econômica. Ainda assim, frisou, não deixou de receber todos os representantes da sociedade. “Nunca me chamaram de excelência”. E, da Bahia, arremessou mais um dardo na direção dos críticos na imprensa e adversários políticos: ”Deviam pedir desculpas”.
Ao traçar o perfil psicológico do presidente na retrospectiva da Band News, Jacob Goldberg destacou traços freudianos de Lula, o retirante nordestino pobre, filho de pai ausente “Self made man” típico, que absorveu o desejo de “ser pai de todo mundo” como um dos traços mais marcantes de sua personalidade. “Filho de família numerosa tinha só duas alternativas: se perder na mediocridade entre tantos irmãos, ou fazer de tudo para se destacar. Foi esta última a escolha salvadora de Lula”, explica o analista de comportamento paulista.
Ontem, em Brasília, o ato administrativo final foi emblemático deste perfil tão complexo e polêmico do presidente que passa o posto. Lula negou a extradição de Cesare Battisti, assegurando asilo no Brasil ao ex-ativista político italiano. O rastilho de críticas e ataques começou a se espalhar ontem mesmo na imprensa brasileira e italiana, sem falar nos adversários políticos e “juristas” de ocasião.
Cercado de ministros civis e militares, que disputavam com auxiliares comuns e familiares uma foto de despedida ao lado do presidente, no palácio do Planalto na manhã de ontem, Lula parecia o personagem da música ”Tô nem aí”. Seguramente convencido de ter assegurado, mesmo fora do governo, que ainda será o centro do debate, da polêmica e das notícias pelo menos durante este primeiro mês do governo Dilma.
A conferir.
Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:vitor-soares1@terra.com.br
'O presidente esteve a ponto de se tornar um autoritário' (Chico de Oliveira)
Entrevista com Chico de Oliveira, professor aposentado de sociologia da USP
Malu Delgado e Alberto Bombig /O Estado de S.Paulo
Qual leitura o sr. faz dos oito anos do presidente Lula?
O balanço geral é mediado. Essa história de "nunca antes neste país" é conversa fiada. O País com Lula não está nada acima da média histórica de crescimento da economia brasileira. Nesse quesito, ele vai bem na comparação com o período do Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), em que o PIB (Produto Interno Bruto) foi fraco. O Brasil foi a segunda economia mundial a crescer sustentadamente durante um século. Mas foi um crescimento feito sem nenhuma distribuição de renda. A gestão do presidente Lula não diminuiu desigualdade nenhuma, isso é lenda criada a partir de muita propaganda. O que houve foi uma transferência de renda a partir do governo para os estratos mais pobres. Distribuição ocorre quando existe a mudança da renda de uma classe social para outra. Nesse sentido, não houve nenhum avanço.
O sr. poderia explicar esse conceito de distribuição de renda?
A renda é gerada pelas atividades econômicas, e cada classe social se apropria do tipo de rendimento que ela tem no sistema capitalista. O capitalista se apropria de lucro, os trabalhadores, de salário. O governo de apropria de impostos.
O sr. concorda com os que afirmam que Lula é um mito?
Sim. Qual o maior mito que você conhece?
Não sei, Getúlio Vargas....
Vargas era real, você podia tocar nele. O maior mito é o Cristo. Poucos o viram. Modestamente, alguns historiadores da religião foi Paulo, e não Cristo. Entre o real e a figura, o mito, váras vezes, acaba sendo o real. Dos quatro evangelhos canônicos, apenas Mateus e João conheceram o Cristo, Lucas e Marcos não o conheceram. Então, como acontece em todos os casos, com o Lula o mito é maior do que a realidade. Ele construiu um mito poderoso devido a vários fatores, ent re os quais, conta o muito o fato de ele ser de origem pobre. Até hoje o presidente é considerado um operário, mas não pega em uma ferramenta há 50 anos. Isso o ajuda a fomentar uma figura.
E o Bolsa-Família?
Nós fomos educados na ética cristã, que nos impede de sermos indiferentes à fome. Então, ninguém pode ser contra. Agora, politicamente, o programa diz que o crescimento econômico continua sendo excludente, que é preciso algo por fora do salário para dar condições de vida às pessoas. Outro fator grave é que ele é uma regressão, uma volta à política personalista, baseada no favor, algo ruim da tradição brasileira.
André Singer, cientista político e ex-assessor de Lula na Presidência, compara os anos Lula aos de Roosevelt (presidente dos EUA entre 1933 e 1945 e recuperou a economia daquele país). O senhor concorda?
Respeito muito o André como intelectual. Ele elevou o nível de debate no PT. Mas acho que há um equívoco da parte dele. Lula não pegou o País em uma grave crise. Os anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não foram gloriosos, mas não foram de quebradeira, de jeito nenhum. Roosevelt pegou os EUA no fundo da crise. Além disso, o André se esquece de que Roosevelt acabou com o trabalhismo americano. Entre as grandes democracias do mundo, a única na qual os trabalhadores não têm um partido é a dos EUA.
O sr. vê traços autocráticos no presidente Lula?
Montado nessa popularidade, ele exagerou, à beira de se tornar autoritário. Foi além dos limites. Só duas pessoas no século 20 disseram, como ele, que eram a encarnação do povo: Adolf Hitler e Joseph Stalin.
Lula e o PT chegaram ao Planalto fazendo um discurso forte contra a corrupção. O sr. se decepcionou nesse quesito?
O poder absoluto corrompe muito. O presidente do Brasil pode nomear muitos cargos. Não há partido que resista a uma coisa dessas. O PT se perdeu no poder, ficou menor do que o presidente e não consegue impor seu programa. Lula e o PT tem um estilo predatório de administrar o Estado e lidar com as finanças públicas.
Lula foi melhor do que Fernando Henrique Cardoso?
Fui muito amigo do Fernando Henrique durante 12 anos e nos afastamos quando ele virou presidente. Fui revê-lo depois que ele deixou Brasília. Sei quem ele é e já fiz essa comparação. Fernando Henrique fez muito mal ao Estado com as privatizações. Ele, com isso, quebrou a capacidade de o Estado regular a economia, quebrou alguns instrumentos construídos com o sacrifício do povo para que o Estado pudesse intervir na economia. Mas tentou avançar institucionalmente, e essa é a grande diferença entre eles. O Lula não tem uma criação institucional . A República não avançou um milímetro com Lula. O que é celebrado na gestão Lula não se transformou em regra. Getúlio Vargas (ditador e presidente do Brasil de 1930 a 1937 e presidente de 1951 a 1954), quando criou as leis trabalhistas, obrigou as empresas a seguirem as regras da nova legalidade, que significavam uma nova hegemonia. A sociedade caminha pela luta de classes dentro dos caminhos que a hegemonia cria. Não ocorreu isso com o governo Lula.
Mas e o aumento do salário mínimo não é um avanço?
Não, é um processo da economia, nada está garantido. Se amanhã a economia der para trás, o salário mínimo que se dane, não é um avanço. O salário mínimo do Juscelino Kubitschek (presidente entre 1956 e 1961) chegou, em valores de hoje, a R$ 1.500, e caiu porque as forças do trabalho não tiveram capacidade de sustentá-lo e porque logo depois viriam os gove rnos militares. Avanços são direitos. Para ficar na história como um estadista, não apenas como um presidente popular, Lula deveria ter transformado, por exemplo, o Bolsa-Família em legislação constitucional. Não fez reformas. O Lula não é um estadista, de jeito nenhum. Ele não é aquele que constrói instituições que significam uma nova hegemonia.
O sr. estava entre os fundadores do PT...
Isso de fundador não faz muita diferença. Muita gente estava na fundação do partido (no colégio Sion, em São Paulo, em 1980) e depois nunca mais apareceu. O que interessa é a militância, e eu fui militante.
Como o sr. acha que a era Lula ficará para a História?
Se os historiadores tiveram juízo, ele será lido como o presidente mais privatizante da História. Ele não é estatizante, isso é falso, uma lenda que a imprensa inventou e que ele usa como arma. Ele é privatizante no sentido de estar criando regras para que poucos grupos controlem a economia brasileira, usando o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para isso. Com Lula, nós estamos entrando naquilo que a teoria marxista chamava de capitalismo monopolista de estado, do qual não há volta. Todas as vezes que essas forças crescem, as dos trabalhadores diminuem. É esse país que ele vai legar para a Dilma.
Os bons resultados da economia não dizem nada para o sr?
Juscelino teve as taxas mais altas de crescimento, mas mudou pouco o País institucionalmente. Todas as realizações dele deram para trás porque não existiam instituições para segurar esses êxitos.
Diante da alta popularidade de Lula, o sr. se arrepende de ter saído do PT?
De jeito nenhum. Esse negócio de popularidade é como maré, vai e volta.
(31 de dezembro de 2010)
Malu Delgado e Alberto Bombig /O Estado de S.Paulo
Qual leitura o sr. faz dos oito anos do presidente Lula?
O balanço geral é mediado. Essa história de "nunca antes neste país" é conversa fiada. O País com Lula não está nada acima da média histórica de crescimento da economia brasileira. Nesse quesito, ele vai bem na comparação com o período do Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), em que o PIB (Produto Interno Bruto) foi fraco. O Brasil foi a segunda economia mundial a crescer sustentadamente durante um século. Mas foi um crescimento feito sem nenhuma distribuição de renda. A gestão do presidente Lula não diminuiu desigualdade nenhuma, isso é lenda criada a partir de muita propaganda. O que houve foi uma transferência de renda a partir do governo para os estratos mais pobres. Distribuição ocorre quando existe a mudança da renda de uma classe social para outra. Nesse sentido, não houve nenhum avanço.
O sr. poderia explicar esse conceito de distribuição de renda?
A renda é gerada pelas atividades econômicas, e cada classe social se apropria do tipo de rendimento que ela tem no sistema capitalista. O capitalista se apropria de lucro, os trabalhadores, de salário. O governo de apropria de impostos.
O sr. concorda com os que afirmam que Lula é um mito?
Sim. Qual o maior mito que você conhece?
Não sei, Getúlio Vargas....
Vargas era real, você podia tocar nele. O maior mito é o Cristo. Poucos o viram. Modestamente, alguns historiadores da religião foi Paulo, e não Cristo. Entre o real e a figura, o mito, váras vezes, acaba sendo o real. Dos quatro evangelhos canônicos, apenas Mateus e João conheceram o Cristo, Lucas e Marcos não o conheceram. Então, como acontece em todos os casos, com o Lula o mito é maior do que a realidade. Ele construiu um mito poderoso devido a vários fatores, ent re os quais, conta o muito o fato de ele ser de origem pobre. Até hoje o presidente é considerado um operário, mas não pega em uma ferramenta há 50 anos. Isso o ajuda a fomentar uma figura.
E o Bolsa-Família?
Nós fomos educados na ética cristã, que nos impede de sermos indiferentes à fome. Então, ninguém pode ser contra. Agora, politicamente, o programa diz que o crescimento econômico continua sendo excludente, que é preciso algo por fora do salário para dar condições de vida às pessoas. Outro fator grave é que ele é uma regressão, uma volta à política personalista, baseada no favor, algo ruim da tradição brasileira.
André Singer, cientista político e ex-assessor de Lula na Presidência, compara os anos Lula aos de Roosevelt (presidente dos EUA entre 1933 e 1945 e recuperou a economia daquele país). O senhor concorda?
Respeito muito o André como intelectual. Ele elevou o nível de debate no PT. Mas acho que há um equívoco da parte dele. Lula não pegou o País em uma grave crise. Os anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não foram gloriosos, mas não foram de quebradeira, de jeito nenhum. Roosevelt pegou os EUA no fundo da crise. Além disso, o André se esquece de que Roosevelt acabou com o trabalhismo americano. Entre as grandes democracias do mundo, a única na qual os trabalhadores não têm um partido é a dos EUA.
O sr. vê traços autocráticos no presidente Lula?
Montado nessa popularidade, ele exagerou, à beira de se tornar autoritário. Foi além dos limites. Só duas pessoas no século 20 disseram, como ele, que eram a encarnação do povo: Adolf Hitler e Joseph Stalin.
Lula e o PT chegaram ao Planalto fazendo um discurso forte contra a corrupção. O sr. se decepcionou nesse quesito?
O poder absoluto corrompe muito. O presidente do Brasil pode nomear muitos cargos. Não há partido que resista a uma coisa dessas. O PT se perdeu no poder, ficou menor do que o presidente e não consegue impor seu programa. Lula e o PT tem um estilo predatório de administrar o Estado e lidar com as finanças públicas.
Lula foi melhor do que Fernando Henrique Cardoso?
Fui muito amigo do Fernando Henrique durante 12 anos e nos afastamos quando ele virou presidente. Fui revê-lo depois que ele deixou Brasília. Sei quem ele é e já fiz essa comparação. Fernando Henrique fez muito mal ao Estado com as privatizações. Ele, com isso, quebrou a capacidade de o Estado regular a economia, quebrou alguns instrumentos construídos com o sacrifício do povo para que o Estado pudesse intervir na economia. Mas tentou avançar institucionalmente, e essa é a grande diferença entre eles. O Lula não tem uma criação institucional . A República não avançou um milímetro com Lula. O que é celebrado na gestão Lula não se transformou em regra. Getúlio Vargas (ditador e presidente do Brasil de 1930 a 1937 e presidente de 1951 a 1954), quando criou as leis trabalhistas, obrigou as empresas a seguirem as regras da nova legalidade, que significavam uma nova hegemonia. A sociedade caminha pela luta de classes dentro dos caminhos que a hegemonia cria. Não ocorreu isso com o governo Lula.
Mas e o aumento do salário mínimo não é um avanço?
Não, é um processo da economia, nada está garantido. Se amanhã a economia der para trás, o salário mínimo que se dane, não é um avanço. O salário mínimo do Juscelino Kubitschek (presidente entre 1956 e 1961) chegou, em valores de hoje, a R$ 1.500, e caiu porque as forças do trabalho não tiveram capacidade de sustentá-lo e porque logo depois viriam os gove rnos militares. Avanços são direitos. Para ficar na história como um estadista, não apenas como um presidente popular, Lula deveria ter transformado, por exemplo, o Bolsa-Família em legislação constitucional. Não fez reformas. O Lula não é um estadista, de jeito nenhum. Ele não é aquele que constrói instituições que significam uma nova hegemonia.
O sr. estava entre os fundadores do PT...
Isso de fundador não faz muita diferença. Muita gente estava na fundação do partido (no colégio Sion, em São Paulo, em 1980) e depois nunca mais apareceu. O que interessa é a militância, e eu fui militante.
Como o sr. acha que a era Lula ficará para a História?
Se os historiadores tiveram juízo, ele será lido como o presidente mais privatizante da História. Ele não é estatizante, isso é falso, uma lenda que a imprensa inventou e que ele usa como arma. Ele é privatizante no sentido de estar criando regras para que poucos grupos controlem a economia brasileira, usando o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para isso. Com Lula, nós estamos entrando naquilo que a teoria marxista chamava de capitalismo monopolista de estado, do qual não há volta. Todas as vezes que essas forças crescem, as dos trabalhadores diminuem. É esse país que ele vai legar para a Dilma.
Os bons resultados da economia não dizem nada para o sr?
Juscelino teve as taxas mais altas de crescimento, mas mudou pouco o País institucionalmente. Todas as realizações dele deram para trás porque não existiam instituições para segurar esses êxitos.
Diante da alta popularidade de Lula, o sr. se arrepende de ter saído do PT?
De jeito nenhum. Esse negócio de popularidade é como maré, vai e volta.
(31 de dezembro de 2010)
Nunca antes na história... As 50 frases mais polêmicas de Lula
RIO - Nunca antes na história deste país um presidente pronunciou tantas frases marcantes e polêmicas quanto Luiz Inácio Lula da Silva. Em diversas solenidades, Lula jogou para escanteio os discursos produzidos pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, e partiu para o improviso. Foi quando proferiu a maioria das frases que em poucos minutos foram parar nas manchetes dos sites e, no dia seguinte, ocuparam as principais páginas dos jornais. O site do GLOBO reuniu 50 frases do presidente, que se despede neste sábado do poder depois de oito anos. (O Globo, 31/12/10)
1- "Lá, a crise é um tsunami. Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha, que não dá nem para esquiar" - Em 4 de outubro de 2008, ao comentar os efeitos da crise financeira no país.
2 - "É uma crise causada, fomentada, por comportamentos irracionais de gente branca, de olhos azuis, que antes da crise parecia que sabia tudo e que, agora, demonstra não saber nada" - Em 2009, ao premier britânico, Gordon Brown.
3- "Crise? Que crise? Pergunta para o Bush" - Em 16 de setembro de 2008, sobre a crise financeira mundial.
" Crise? Que crise? Pergunta para o Bush "
4- "O caos aéreo é como uma metástase. A gente acha que está tudo bem, mas só descobre que o problema é bem maior quando ele (o câncer) surge" - Em agosto de 2007.
5- "Um dia acordei invocado e liguei para o Bush" - Num discurso para lideranças do PTB, em abril de 2004.
Mensalão
6- "Não interessa se foi A, B ou C, todo o episódio foi como uma facada nas minhas costas" - Em janeiro de 2006, sobre o episódio do escândalo do mensalão.
7- "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento" - Em agosto de 2005, sobre o escândalo de mensalão, após o depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios.
Polêmicas
8- "A polícia só bate em quem tem que bater" - Em discurso em outubro de 2010.
9- "Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida. Tem que ser submissa porque gosta dele" - Em janeiro de 2010.
10- "São privilegiados aqueles que podem pagar Imposto de Renda, porque ganham um pouco mais" - Em discurso a metalúrgicos do ABC que cobravam mudança na tabela do Imposto de Renda, em maio de 2004.
" Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento "
Provocando risadas
11- "Beliscão dói para cacete" - Em discurso na assinatura de projeto de punição de maus-tratos a filhos, em julho de 2010.
12- "Resolveram fazer um estudo para saber se a perereca estava em extinção. Aí teve que contratar gente para procurar perereca, e procure perereca, procure perereca, perereca, perereca..." - Em maio de 2009, ao eleger o bichinho como inimigo do desenvolvimento; por causa dele, houve atraso de sete meses na construção de viaduto entre Brasil e Argentina.
13- "Você (como médico) diria ao paciente: 'Meu sifu'?" - Em discurso para artistas em dezembro de 2008, no Rio, alegando que sempre tem que ser otimista.
14- "Eu sei o que é greve de fome. Dá uma fome danada" - Em 2006, ao comentar a greve de fome de dom Luiz Capio em protesto contra as obras de transposição do Rio São Francisco.
15- "Se você um dia for presidente da República, vai ver como é bom uma medida provisória", respondendo ao então presidente do Senado, Renan Calheiros, em 2006.
" Você (como médico) diria ao paciente: 'Meu sifu'? "
16- "Tem que fazer uma reza profunda para que a gente deixe o otimismo (sic) no banheiro, dê descarga nele logo cedo e saia pensando em coisas boas" - Em discurso em outubro de 2005, no Rio, para agentes de viagem, referindo-se ao pessimismo.
17- "Política é olho no olho. É, como diria o povo brasileiro, tête à tête" - Na Nigéria, em abril de 2005.
Aliados
18- "Nunca fiz concessão política. Faço acordo... Se Jesus viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria que chamar Judas para fazer coalizão - Em 2009, ao ser questionado sobre suas relações com aliados como José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros.
19- "Mexer no Palocci é a mesma coisa que pedir para o Barcelona tirar o Ronaldinho" - Em novembro de 2005.
20- "Eu e Palocci somos unha e carne. Tenho total confiança nele" - Durante a primeira entrevista coletiva como presidente, em maio de 2005.
21- "É o capitão do time. Aquele que pode reclamar do juiz sem ser expulso de campo" - Sobre José Dirceu, na conversa com jornalistas, em fevereiro de 2004.
Saída da Presidência
22- "Não estou saudoso coisíssima nenhuma. Quando entrei aqui, sabia que tinha data para entrar e para sair. Portanto, é que nem contrato de aluguel: no dia 31, tenho que dar o fora" - Em novembro de 2010, ao falar sobre a saída da Presidência.
23- "Está certo que a gente está no fim do mandato, mas você poderia, junto com essa lei complementar, ter mandado uma emendinha para mais alguns anos de mandato... Não mandou, então fica..." - Ao falar sobre a lei complementar que reestrutura a área de Defesa, em agosto de 2010.
24- "No ano que vem, estarei livre para andar por este país. Vou continuar fazendo política pelo Brasil, mas não vou dar pitaco no novo governo, porque eu quero que eles digam que nunca antes na história deste país um ex-presidente foi tão ex-presidente" - Em maio de 2010, durante encontro com a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag).
25- "Se um dia vocês chegarem à Presidência da República vão perceber que esse é o ápice de um ser humano. Não tem nada além disso" - Em abril de 2007.
Campanha e Dilma
26- "Ontem venderam o dia inteiro que esse homem tinha sido agredido, e o que vocês assistiram foi uma mentira mais grave que a do goleiro Rojas" - Em outubro de 2010, ao falar sobre o episódio em que José Serra (PSDB) foi atingido por uma bolinha de papel em evento de campanha no Rio.
27- "Muita gente acha que a Dilma é dura. Nem todo mundo é obrigado a ficar se arreganhando para todo mundo. A Dilma é o que ela é" - Em abril de 2010.
Críticas à imprensa
28- "O povo pobre não precisa mais de formador de opinião. Nós somos a opinião pública" - Mais uma crítica à imprensa, em setembro de 2010.
" Notícia é o que a gente quer esconder; o resto é propaganda "
29- "Notícia é o que a gente quer esconder; o resto é propaganda" - Em abril de 2010.
30- "Quero saber se o povo está na merda, e eu quero tirar o povo da merda em que se encontra" - Em maio de 2009, ao garantir no Maranhão que suas obras de saneamento serão maiores que as dos governos anteriores.
Economia
31- "Você não acha muito chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI? E eu, que passei parte da minha juventude carregando faixa em São Paulo: 'Fora FMI'?" - Em abril de 2009.
32- "O resultado (da economia) este ano não será uma Brastemp" - Em agosto de 2005.
33- "Na época em que o Copom se reúne tem pessoas que entram em TPC, tensão pré-Copom" - Em setembro de 2004, sobre os juros.
34- "A China é um shopping de oportunidades" - Durante visita a Pequim, em maio de 2004.
Sexo e Playboy
35- "Desde que virei adulto, não vejo mais a Playboy" - Sobre o ensaio de Mônica Veloso, pivô da crise com Renan Calheiros, em outubro de 2007.
" Sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta e é uma necessidade orgânica "
36- "Sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta e é uma necessidade orgânica" - Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, no Rio, em marco de 2007.
37- "Sexo tem que ser feito e ensinado como fazer" - Lula no mesmo discurso.
Oposição
38- "Quem esperar que eu vá ficar sentadinho em Brasília pode tirar o cavalo da chuva, porque vamos inaugurar obra este ano. Tem gente que vai ficar doida de raiva, mas nós vamos" - Em fevereiro de 2010, em mais uma crítica à oposição.
39- "Sou que nem massa de bolo. Quanto mais batem, mais cresço" - Em maio de 2006, respondendo as críticas que recebe.
40- "Quatro anos, para quem está governando, é muito pouco, mas para quem está na oposição quatro anos é uma eternidade" - Na capital do Amapá, em dezembro de 2005.
41- "Tem muita gente torcendo contra, como ex-marido que não quer que a mulher seja feliz com outro" - Em dezembro de 2004, em resposta a Fernando Henrique Cardoso. Na véspera, o ex-presidente dissera "Se o governo é incompetente, e ele é incompetente, denunciar incompetência não é ofensa".
" Sou que nem massa de bolo. Quanto mais batem, mais cresço "
42- "Você tem um amigo aqui" - Frase dita a FH, ao chegar no topo da rampa no dia da posse, em janeiro de 2003.
Uísque e cerveja
43- "O dia que o mundo experimentar a boa cachaça brasileira, o uísque vai perder mercado" - Na Jamaica, em agosto de 2007.
44- "Não poso de santo. Nunca fui candidato a santo. Fumar, eu fumo. Já tomei um copo de cerveja. Agora, dizer o que ele disse, é porque ele não me conhece" - Sobre o correspondente do The New York Times, Larry Rohter, em maio de 2004.
45- "Vou continuar tomando meu uisquezinho na frente de fotógrafos. Nada fiz de errado" - Em maio de 2004.
Promessas
46- "Quero saber se o povo está na merda, e eu quero tirar o povo da merda em que se encontra" - Em maio de 2009, ao garantir no Maranhão que suas obras de saneamento serão maiores que as dos governos anteriores.
47- "O Brasil realizará uma Copa para argentino nenhum botar defeito" - Em novembro de 2007.
" O Brasil realizará uma Copa para argentino nenhum botar defeito "
48- "Acabar com a fome é uma questão de tempo. Pouco tempo" - Ao abrir a Expo Fome Zero, em São Paulo, em fevereiro de 2004.
Ego e metáforas
49- "Tem hora em que estou no avião e, quando alguém começa a falar bem de mim, meu ego vai crescendo, crescendo, crescendo... Tem hora que ocupo, sozinho, três bancos com o ego" - Em abril de 2010.
50- "A dor da escravidão é como a de cálculo renal: não adianta dizer, tem que sentir" - Em abril de 2005, no Senegal, ao pedir perdão, em nome dos brasileiros, por um erro histórico cometido
1- "Lá, a crise é um tsunami. Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha, que não dá nem para esquiar" - Em 4 de outubro de 2008, ao comentar os efeitos da crise financeira no país.
2 - "É uma crise causada, fomentada, por comportamentos irracionais de gente branca, de olhos azuis, que antes da crise parecia que sabia tudo e que, agora, demonstra não saber nada" - Em 2009, ao premier britânico, Gordon Brown.
3- "Crise? Que crise? Pergunta para o Bush" - Em 16 de setembro de 2008, sobre a crise financeira mundial.
" Crise? Que crise? Pergunta para o Bush "
4- "O caos aéreo é como uma metástase. A gente acha que está tudo bem, mas só descobre que o problema é bem maior quando ele (o câncer) surge" - Em agosto de 2007.
5- "Um dia acordei invocado e liguei para o Bush" - Num discurso para lideranças do PTB, em abril de 2004.
Mensalão
6- "Não interessa se foi A, B ou C, todo o episódio foi como uma facada nas minhas costas" - Em janeiro de 2006, sobre o episódio do escândalo do mensalão.
7- "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento" - Em agosto de 2005, sobre o escândalo de mensalão, após o depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios.
Polêmicas
8- "A polícia só bate em quem tem que bater" - Em discurso em outubro de 2010.
9- "Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida. Tem que ser submissa porque gosta dele" - Em janeiro de 2010.
10- "São privilegiados aqueles que podem pagar Imposto de Renda, porque ganham um pouco mais" - Em discurso a metalúrgicos do ABC que cobravam mudança na tabela do Imposto de Renda, em maio de 2004.
" Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento "
Provocando risadas
11- "Beliscão dói para cacete" - Em discurso na assinatura de projeto de punição de maus-tratos a filhos, em julho de 2010.
12- "Resolveram fazer um estudo para saber se a perereca estava em extinção. Aí teve que contratar gente para procurar perereca, e procure perereca, procure perereca, perereca, perereca..." - Em maio de 2009, ao eleger o bichinho como inimigo do desenvolvimento; por causa dele, houve atraso de sete meses na construção de viaduto entre Brasil e Argentina.
13- "Você (como médico) diria ao paciente: 'Meu sifu'?" - Em discurso para artistas em dezembro de 2008, no Rio, alegando que sempre tem que ser otimista.
14- "Eu sei o que é greve de fome. Dá uma fome danada" - Em 2006, ao comentar a greve de fome de dom Luiz Capio em protesto contra as obras de transposição do Rio São Francisco.
15- "Se você um dia for presidente da República, vai ver como é bom uma medida provisória", respondendo ao então presidente do Senado, Renan Calheiros, em 2006.
" Você (como médico) diria ao paciente: 'Meu sifu'? "
16- "Tem que fazer uma reza profunda para que a gente deixe o otimismo (sic) no banheiro, dê descarga nele logo cedo e saia pensando em coisas boas" - Em discurso em outubro de 2005, no Rio, para agentes de viagem, referindo-se ao pessimismo.
17- "Política é olho no olho. É, como diria o povo brasileiro, tête à tête" - Na Nigéria, em abril de 2005.
Aliados
18- "Nunca fiz concessão política. Faço acordo... Se Jesus viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria que chamar Judas para fazer coalizão - Em 2009, ao ser questionado sobre suas relações com aliados como José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros.
19- "Mexer no Palocci é a mesma coisa que pedir para o Barcelona tirar o Ronaldinho" - Em novembro de 2005.
20- "Eu e Palocci somos unha e carne. Tenho total confiança nele" - Durante a primeira entrevista coletiva como presidente, em maio de 2005.
21- "É o capitão do time. Aquele que pode reclamar do juiz sem ser expulso de campo" - Sobre José Dirceu, na conversa com jornalistas, em fevereiro de 2004.
Saída da Presidência
22- "Não estou saudoso coisíssima nenhuma. Quando entrei aqui, sabia que tinha data para entrar e para sair. Portanto, é que nem contrato de aluguel: no dia 31, tenho que dar o fora" - Em novembro de 2010, ao falar sobre a saída da Presidência.
23- "Está certo que a gente está no fim do mandato, mas você poderia, junto com essa lei complementar, ter mandado uma emendinha para mais alguns anos de mandato... Não mandou, então fica..." - Ao falar sobre a lei complementar que reestrutura a área de Defesa, em agosto de 2010.
24- "No ano que vem, estarei livre para andar por este país. Vou continuar fazendo política pelo Brasil, mas não vou dar pitaco no novo governo, porque eu quero que eles digam que nunca antes na história deste país um ex-presidente foi tão ex-presidente" - Em maio de 2010, durante encontro com a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag).
25- "Se um dia vocês chegarem à Presidência da República vão perceber que esse é o ápice de um ser humano. Não tem nada além disso" - Em abril de 2007.
Campanha e Dilma
26- "Ontem venderam o dia inteiro que esse homem tinha sido agredido, e o que vocês assistiram foi uma mentira mais grave que a do goleiro Rojas" - Em outubro de 2010, ao falar sobre o episódio em que José Serra (PSDB) foi atingido por uma bolinha de papel em evento de campanha no Rio.
27- "Muita gente acha que a Dilma é dura. Nem todo mundo é obrigado a ficar se arreganhando para todo mundo. A Dilma é o que ela é" - Em abril de 2010.
Críticas à imprensa
28- "O povo pobre não precisa mais de formador de opinião. Nós somos a opinião pública" - Mais uma crítica à imprensa, em setembro de 2010.
" Notícia é o que a gente quer esconder; o resto é propaganda "
29- "Notícia é o que a gente quer esconder; o resto é propaganda" - Em abril de 2010.
30- "Quero saber se o povo está na merda, e eu quero tirar o povo da merda em que se encontra" - Em maio de 2009, ao garantir no Maranhão que suas obras de saneamento serão maiores que as dos governos anteriores.
Economia
31- "Você não acha muito chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI? E eu, que passei parte da minha juventude carregando faixa em São Paulo: 'Fora FMI'?" - Em abril de 2009.
32- "O resultado (da economia) este ano não será uma Brastemp" - Em agosto de 2005.
33- "Na época em que o Copom se reúne tem pessoas que entram em TPC, tensão pré-Copom" - Em setembro de 2004, sobre os juros.
34- "A China é um shopping de oportunidades" - Durante visita a Pequim, em maio de 2004.
Sexo e Playboy
35- "Desde que virei adulto, não vejo mais a Playboy" - Sobre o ensaio de Mônica Veloso, pivô da crise com Renan Calheiros, em outubro de 2007.
" Sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta e é uma necessidade orgânica "
36- "Sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta e é uma necessidade orgânica" - Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, no Rio, em marco de 2007.
37- "Sexo tem que ser feito e ensinado como fazer" - Lula no mesmo discurso.
Oposição
38- "Quem esperar que eu vá ficar sentadinho em Brasília pode tirar o cavalo da chuva, porque vamos inaugurar obra este ano. Tem gente que vai ficar doida de raiva, mas nós vamos" - Em fevereiro de 2010, em mais uma crítica à oposição.
39- "Sou que nem massa de bolo. Quanto mais batem, mais cresço" - Em maio de 2006, respondendo as críticas que recebe.
40- "Quatro anos, para quem está governando, é muito pouco, mas para quem está na oposição quatro anos é uma eternidade" - Na capital do Amapá, em dezembro de 2005.
41- "Tem muita gente torcendo contra, como ex-marido que não quer que a mulher seja feliz com outro" - Em dezembro de 2004, em resposta a Fernando Henrique Cardoso. Na véspera, o ex-presidente dissera "Se o governo é incompetente, e ele é incompetente, denunciar incompetência não é ofensa".
" Sou que nem massa de bolo. Quanto mais batem, mais cresço "
42- "Você tem um amigo aqui" - Frase dita a FH, ao chegar no topo da rampa no dia da posse, em janeiro de 2003.
Uísque e cerveja
43- "O dia que o mundo experimentar a boa cachaça brasileira, o uísque vai perder mercado" - Na Jamaica, em agosto de 2007.
44- "Não poso de santo. Nunca fui candidato a santo. Fumar, eu fumo. Já tomei um copo de cerveja. Agora, dizer o que ele disse, é porque ele não me conhece" - Sobre o correspondente do The New York Times, Larry Rohter, em maio de 2004.
45- "Vou continuar tomando meu uisquezinho na frente de fotógrafos. Nada fiz de errado" - Em maio de 2004.
Promessas
46- "Quero saber se o povo está na merda, e eu quero tirar o povo da merda em que se encontra" - Em maio de 2009, ao garantir no Maranhão que suas obras de saneamento serão maiores que as dos governos anteriores.
47- "O Brasil realizará uma Copa para argentino nenhum botar defeito" - Em novembro de 2007.
" O Brasil realizará uma Copa para argentino nenhum botar defeito "
48- "Acabar com a fome é uma questão de tempo. Pouco tempo" - Ao abrir a Expo Fome Zero, em São Paulo, em fevereiro de 2004.
Ego e metáforas
49- "Tem hora em que estou no avião e, quando alguém começa a falar bem de mim, meu ego vai crescendo, crescendo, crescendo... Tem hora que ocupo, sozinho, três bancos com o ego" - Em abril de 2010.
50- "A dor da escravidão é como a de cálculo renal: não adianta dizer, tem que sentir" - Em abril de 2005, no Senegal, ao pedir perdão, em nome dos brasileiros, por um erro histórico cometido
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